terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A prática leva mesmo à perfeição


Pesquisas científicas e exemplos da vida real demonstram que a percepção de nossa própria inteligência e de nossas habilidades impacta profundamente nosso sucesso.

Quando vemos nossas habilidades como qualidades fixas, quando pensamos que temos ou não o “dom” para determinada atividade, tendemos a evitar  desafios e a perder  interesse quando as coisas ficam difíceis.

Por outro lado, quando entendemos que nossas habilidades são desenvolvidas, tendemos a nos dedicar à prática deliberada, que é o treino consciente e correto para se destacar em certo domínio, e desenvolvemos perseverança, a coragem que nos permite alcançar nossos objetivos. A correlação entre prática deliberada e aperfeiçoamento de habilidades já foi demonstrada cientificamente.

Mas essa crença de que nossas habilidades são desenvolvidas é em si maleável, e há medidas que todos nós podemos tomar para criar uma “mentalidade de crescimento”.

No vídeo abaixo, Eduardo Briceño, co-fundador e CEO de Mindset Works, explica por que pais, escolas e outras organizações devem cultivar uma cultura de mentalidade de crescimento nas crianças e nos jovens.

Esforço vale mais que talento – e estar ciente disso parece ser crucial para o sucesso.








.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Mais 10 dicas para criar filhos bilíngues


Num artigo publicado no site Expats.cz, a  especialista em linguagem Alice Netolická oferece ótimos conselhos sobre educação bilíngue, que descrevo abaixo. O artigo pode ser acessado na íntegra aqui



1. Comece assim que a criança nascer.
Segundo Netolická, expor crianças a várias línguas a partir do nascimento lhes permite capitalizar sua capacidade inata para absorver sutilezas linguísticas. Mas é importante ter contato ativo com as línguas. A música e a televisão são fontes excelentes de exposição para adultos e crianças mais velhas, mas pesquisas mostram que os bebês aprendem melhor a partir da interação pessoal, diz a autora.

2. Escolha uma estratégia e seja fiel a ela.
Estratégias linguísticas são essenciais para ajudar as crianças a separar as línguas. Famílias geralmente optam entre os sistemas “one parent, one language” e “minority language at home”. No entanto, outras abordagens são possíveis. O fundamental é consistência, não importa a estratégia que você escolher.

3. Tente evitar a mistura de línguas.
Quando os pais misturam várias línguas em uma frase ou mudam abruptamente de língua no meio de um tópico, as crianças podem ficar confusas. E se a criança percebe que você fala ambas as línguas, ela provavelmente vai responder na sua língua dominante, que geralmente é a língua do local de residência e não a língua que você está tentando ensinar.

4. Não se sinta muito culpado por deslizes.
De acordo com Netolická, seguir rigorosamente uma estratégia o tempo todo pode ser uma meta impossível. Segundo ela, falar sua língua não dominante ocasionalmente com um cônjuge ou sogros não é necessariamente prejudicial para o desenvolvimento da linguagem da criança.

6. Torne a segunda língua uma coisa divertida.
Bilíngues podem resistir a falar em sua língua não-dominante. Mas quando a interação é agradável, essa resistência tende a diminuir.

5. Opte por uma escola com experiência de bilinguismo.
Crianças multilíngues podem enfrentar alguns obstáculos quando entram na escola, onde as expectativas de desempenho são projetadas para monolíngues. Enquanto seu filho pode ser proficiente em ambas suas línguas, algumas tarefas podem ser um desafio devido à interferência de linguagem. Escolher a escola certa pode ser essencial para o desenvolvimento bilíngue de uma criança.

6. Não introduza uma terceira língua sem relevância prática.
Netolická incentiva os pais a considerar cuidadosamente o quão importante um novo idioma é na vida de uma criança antes de sua introdução. A língua em questão é o idioma de herança cultural da crianca? É necessária para fins acadêmicos? É a língua majoritária do país onde a criança vive? Esses são exemplos de fatores que indicam relevância de uma língua. É importante também lembrar que os seres humanos são capazes de aprender línguas novas, com competência quase nativa, mesmo quando são mais velhos.

7. Quando se trata de alfabetização, deve-se respeitar o ritmo da própria criança.
Não há consenso sobre quando introduzir leitura e escrita em uma segunda língua. Uma teoria diz que fazê-lo ao mesmo tempo que a primeira pode ser confuso, outra diz que a alfabetização tardia pode atrasar desnecessariamente o progresso educacional. A alfabetização em uma segunda língua pode ser um desafio, mas tudo depende da criança. Algumas crianças aprendem a ler e escrever com relativa facilidade e algumas lutam por muitos anos. Deixe o seu filho tomar as rédeas, mas incentive a literacia, escrevendo-lhe notas engraçadas ou pedindo-lhe para ler uma lista de supermercado que está escrita na língua que não é a ensinada na escola.

9. Seja gentil nas correções e não corrija todos os erros.
Netolická aconselha os pais a não corrigir uma criança a cada erro de gramática ou vocabulário. Você pode, ao invés, reformular a frase como se estivesse pedindo esclarecimentos. Ela também aconselha os pais a não rir dos erros dos filhos. E a recompensar o esforço da criança para se comunicar em dois ou todos os seus idiomas.

10. Esqueça o que você já ouviu falar sobre atraso no desenvolvimento da fala.
Os pais muitas vezes são informados de que seus bebês bilíngues vão falar mais tarde do que os monolíngües. Não é assim, diz Netolická. As crianças multilíngues devem atingir marcos no desenvolvimento da linguagem ao mesmo tempo que as crianças monolíngues. Quando se preocupar? "Se o seu filho não disser suas primeiras palavras em torno do seu primeiro aniversário, ou se ele tem um vocabulário de menos de 50 palavras ou não começou a combinar palavras antes de seu segundo aniversário, um encaminhamento para um fonoaudiólogo pode ser recomendado."



.

sábado, 15 de setembro de 2012

Como ajudar seu filho a ter orgulho de falar português


Num vídeo exibido recentemente no Globo Notícias, Cristhiane Vieira-Rozenblit, presidente e fundadora da escola Brazil Ahead Portuguese, de Nova York,  dá dicas de como ajudar seu filho a ter orgulho de falar português. Confira abaixo.








.

domingo, 12 de agosto de 2012

Para estimular a criatividade, estude no exterior




Nova pesquisa confirma que passar algum tempo estudando no exterior aumenta a habilidade de um indivíduo de encontrar soluções criativas. Cada vez mais, pesquisas concleum que viver no exterior afeta a capacidade de uma pessoa de encontrar soluções inovadoras para problemas difíceis. Vários estudos anteriores haviam chegado a essa conclusão mas não haviam conseguido estabelecer uma relação causal, deixando em aberto a possibilidade de que pessoas inclinadas a viver no estrangeiro fossem mais criativas por natureza.

Para investigar a relação causal entre viver no estrangeiro e ser criativo, pesquisadores da Universidade da Flórida, Gainesville, realizaram uma nova experiência. Nela, eles utilizaram dois testes de criatividade em três grupos: pessoas que tinham estudado no exterior, pessoas que naquele momento planejavam estudar no exterior e pessoas que não tinham inclinação para deixar os EUA.

Nos testes, indivíduos que haviam estudado no exterior tiveram um número significativamente maior de idéias criativas do que os outros dois grupos. Os pesquisadores da Universidade da Flórida argumentam que isso demonstra uma conexão causal, que estudar no exterior suporta os processos cognitivos envolvidos no desenvolvimento de soluções inovadoras.

Mais detalhes sobre a pesquisa podem ser lidos aqui



.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Dicas para aproveitar o intercâmbio




Domingo passei duas horas num portão de desembarque do aeroporto de Heathrow  esperando por amigos que se atrasaram devido a problemas com sua bagagem. Nesse período pousaram dois vôos da TAM, um vindo de São Paulo e um do Rio. Calculo que cerca de 80% dos passageiros que chegaram nesses vôos eram jovens que vinham fazer intercâmbio na Inglaterra durante o verão europeu.  À minha volta, dezenas de representantes de escolas de inglês e programas de intercâmbio esperavam os passageiros. Sem nenhuma dúvida, mandar filhos adolescentes estudar inglês no exterior durante as férias virou um esporte nacional para os brasileiros.

Para os pais, um conselho: escolham muito bem o programa no qual vão inscrever seus filhos, não somente do ponto de vista do aprendizado da língua, mas também da organização, segurança e logística. Vi vários adolescentes no aeroporto que chegavam sozinhos e não encontravam a pessoa que deveria estar esperando por eles. Crianças que não aparentavam mais que 13-14 anos andavam de um lado para outro ansiosas e algumas bem desesperadas (eu diria que com razão). O aeroporto havia disponibilizado até uma equipe de seguranças que orientava essas crianças a se dirigir ao setor de informações e tentar localizar seus anfitriões de lá. Fiquei perocupada quando vi uma menina de mais ou menos 15 anos ligando para os pais no Brasil e dizendo que ia tentar pegar um ônibus e chegar até Brighton sozinha porque não havia nenhum representante do seu programa no aeroporto.  Programas com esse tipo de organização obviamente devem ser evitados.

Para os jovens intercambistas, repasso as dicas que encontrei em alguns sites e blogs, de como aproveitar ao máximo a estadia no exterior para aprender bem inglês. Abaixo segue uma lista de links.
Feliz intercâmbio!



terça-feira, 22 de maio de 2012

Mais comentários interessantes – Quando os pais não são falantes nativos


Muitos comentários interessantes são postados aqui no blog, os quais nem sempre chegam ao conhecimento de todos os leitores. Continuo portanto publicando alguns deles em novos posts, e hoje reproduzo aqui comentários feitos a  ‘Quando um dos pais não fala português’ e ‘Crianças bilíngues e o valor das línguas’, que dizem respeito a pais brasileiros, vivendo no Brasil, que decidiram falam inglês com seus filhos no dia a dia, para que se tornem bilíngues.




Eros comentou em 28 de janeiro de 2011:

Olá Claudia, somos brasileiros e moramos no Brasil. Sou pai de uma tampinha linda de 2 anos, e gostaria de começar a conversar somente em inglês com ela. Porém, no início desse post você fez referência a especialistas que não aconselham isso. Você poderia me dar mais detalhes sobre esta informação? Obrigado, Eros

Claudia Storvik comentou em 28 de janeiro de 2011:

Olá, Eros. Posso sim. O que o post diz é que alguns especialistas acham que tal conduta pode afetar de forma negativa o relacionamento futuro com a criança. Essa sugestão é feita dentro do contexto de famílias morando fora de seu país de origem. O abandono da língua materna pelos pais é desencorajado por questões de identidade da criança e preservação das relações familiares, bem como outros aspectos que também não se aplicam ao seu caso. Muitas famílias fazem o que vocês estão planejando fazer. A tarefa não é nada fácil, mas se você for realista e perseverar, não vejo por que não possa dar certo. O artigo neste link provavelmente vai ser útil pra você: http://www.multilingualliving.com/2010/04/23/non-native-speakers-can-raise-multilingual-children/  Go for it! Quando precisar de ajuda estaremos aqui. Um abraço, Cláudia

Daniele comentou em 7 de dezembro de 2011:

Cláudia, descobri seu blog hoje e confesso que estou amando tudo que encontro por aqui. Eu e meu marido moramos no Brasil, mas ambos somos fluentes em inglês. Já conversamos sobre isso e decidimos que nosso filho (estou grávida de sete meses) ouvirá apenas inglês dentro de casa. Peço perdão se estou fazendo perguntas que já foram respondidas em outras postagens, mas minha duvida é sobre como devemos agir por exemplo, num ambiente onde todos falam português. Deixe-me tentar explicar melhor. Digamos que estamos na casa dos meus sogros. Todos falam em português, inclusive eu e meu marido. Quando formos nos dirigir à criança, devemos fazê-lo em inglês? Pensando aqui com meus botões creio que no futuro isso pode causar o bilinguismo passivo pois meu filho estará ciente de que os pais falam português... O que fazer?

Claudia Storvik comentou em 7 de dezembro de 2011:

Ola Daniele, obrigada pelo comentário. Como em tantas outras situações relacionadas a bilinguismo, aqui não existe uma regra fixa, cada um age da sua maneira. Você tem que seguir seu instinto e decidir o que é melhor para o seu filho. Um abraço, Cláudia

Danielle comentou [em referência ao comentário da Daniele, acima] em 9 de abril de 2012:

Me chamo Danielle também, eu estou passando por isso aqui… Tenho um menino de 1 ano e 7 meses e em casa só eu falo inglês com ele. Todos da família, inclusive meu marido, só falam português, daí tenho medo que ele só seja passivo. Na rua e em outros lugares é muito complicado, mas tento esclarecer meus objetivos e até agora tento me manter fiel a eles. Gostaria de trocar experiências, saber como você está conseguindo, pois pra mim tem sido difícil, se quiser avise que trocaremos e-mails. Boa Sorte!


Lei mais sobre o tema

Abaixo, uma lista de links com artigos interessantes sobre pais que educam filhos em línguas diferentes de suas línguas maternas:



.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

‘Filhos Bilíngues’ recomendado pelo programa Poliglotti4.eu


Poliglotti4.eu, um projeto que visa promover o multilinguismo na Europa, tem origem na Plataforma da Sociedade Civil sobre Multilinguismo, que, em nome da Comissão Europeia, trabalha com multilinguismo nas áreas de educação, diversidade linguística e coesão social, tradução e terminologia e política linguística. O trabalho de pesquisa da Plataforma levou ao desenvolvimento de um conjunto de recomendações para a execução de uma política de multilinguismo europeia, constituindo a base do projeto Poliglotti4.eu - que tem associados como British Council, Goethe-Institut e Danish Cultural Institute.





Além de páginas no Facebook e Twitter, Poliglotti4.eu tem um site excelente  que oferece a governantes, professores, alunos e organizações da sociedade civil um conjunto de ferramentas para análise comparativa e fortalecimento de suas atividades educacionais.  O site possui uma seção de links para blogs, à qual ‘Filhos Bilíngues' foi adicionado hoje, junto a pesos pesados como ‘Being Multilingual’, ‘Morsmal’, ‘Multilingual Living’ e ‘SpanglishBaby’. Uma honra!




.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O português é a melhor língua para se aprender?

A revista Intelligent Life, publicada pelo periódico britânico The Economist, está promovendo uma enquete sobre qual a melhor língua para se aprender além do inglês.

Editores e colunistas do The Economist publicaram artigos defendendo o francês, o espanhol, o chinês, o árabe e o latim, e Helen Joyce, correspondente da revista em São Paulo, publicou artigo argumentando que a melhor escolha é o português do Brasil.    





Segundo Joyce, aprender português é um excelente investimento e, para quem quer aprender uma língua com um grande número de falantes nativos, falada por pessoas bacanas, num lugar legal de visitar, que seja de uma família de línguas com parentes próximos, que lhe dá uma vantagem no aprendizado de outros idiomas, e que não seja tão diferente do inglês que o faça querer desistir, o português do Brasil é a opção ideal.

Joyce diz que não escolheu o português: foi forçada a aprendê-lo por causa da oferta para trabalhar em São Paulo. Mas quando pensa que seus filhos, hoje com dez e cinco anos, um dia poderão escrever 'português brasileiro fluente' em seus currículos, fica envaidecida.

O artigo de Joyce pode ser lido na íntegra aqui

No momento o português brasileiro está em segundo lugar na enquete online da Intelligent Life, atrás apenas do esperanto. Em seguida estão o espanhol, o francês e o chinês. A lista completa pode ser vista aqui

E você, em que língua vai votar?



.

quarta-feira, 28 de março de 2012

Blogagem coletiva: Mães Internacionais - Bilinguismo

Por pura falta de tempo não tenho participado das blogagens coletivas do site Mães Internacionais. Hoje, no entanto, não podia deixar de marcar a ocasião com uma notinha, pois o tema da blogagem é bilinguismo.

Conforme mencionado na introdução ao tema no site Mães Internacionais, o bilinguismo pleno de filhos de brasileiros residentes no exterior continua sendo a exceção: muitas crianças chegam a falar português enquanto são pequenas, mas algumas adotam a língua do país de residência quando começam a frequentar a escola, e a maioria acaba chegando à adolescência apenas com o domínio passivo do português (entende mas não fala).
Ao longo dos anos conheci muitas brasileiras vivendo na Europa que por convicção ou por insegurança não ensinavam português a seus filhos. Algumas diziam ter medo que a criança ficasse confusa com duas línguas, ou que não conseguisse se comunicar com o pai, ou que chegasse à idade escolar sem dominar a língua do país de residência. Também conheci muitas mães que haviam tentado e falhado parcial ou totalmente na missão de ensinar português a seus filhos.
No entanto, uma nova geração de mães e pais que ainda tem filhos pequenos está se empenhando para proporcionar o maravilhoso presente do bilinguismo a seus filhos, por ter uma visão mais esclarecida do que o multuinguismo infantil é e o que ele não é. Tenho uma enrome satisfação em saber que de alguma forma meu blog ajudou algumas dessas famílias a desmistificar o tema.
No link abaixo, as mães internacionais nos contam como estão lidando com esse importante aspecto da educação de seus filhos. Boa sorte pra elas!!
 


terça-feira, 6 de março de 2012

Pensando em voltar ao Brasil?

Folha.com publicou hoje uma série de artigos sobre as dificuldades que brasileiros imigrantes e expatriados enfrentam ao voltar ao Brasil. Segundo o jornal, enquanto mora fora a pessoa tende a idealizar a própria terra. No entanto, ao retornar ao Brasil, além da dificuldade de readaptação, alguns enfrentam até depressão. 


Num dos artigos, a psicóloga Kyoko Nakagawa, coordenadora do projeto Kaeru de reintegração de crianças que voltam do Japão, diz que a adaptação em um país estrangeiro se dá em seis meses, mas a readaptação ao país de origem demora dois anos. 

Abaixo, os links para os artigos da Folha.com:

Para quem está retornando, a “Cartilha: Brasileiras e Brasileiros no Exterior - Informações Úteis”, lançada pelo Itamaraty em 15 de janeiro de 2008, contém um capítulo entitulado "Voltando ao Brasil", com dicas que visam ajudar imigrantes e expatriados na reintegração ao mercado de trabalho brasileiro. Vale a pena conferir. Alguns dos tópicos abordados na cartilha são:






Boa sorte!


.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Atraso no desenvolvimento da fala - nas palavras de uma especialista

A Dra. Elisabete Giusti é fonoaudióloga em São Paulo, especialista em linguagem infantil formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e Doutora em Linguística também pela Universidade de São Paulo. Entre outras coisas, ela mantém um site maravilhoso, cheio de informações sobre aquisição e desenvolvimento da linguagem e atraso no desenvolvimento da fala, que pode ser acessado aqui

Fiquei muito feliz quando a Dra. Elisabete aceitou o meu convite para compartilhar um pouco de sua rica experiência com os leitores do blog. O post que publiquei em 2011 sobre atraso no desenvolvimento da fala é o mais lido de ‘Filhos Bilíngues’, portanto o assunto é de interesse para muitas famílias. A meu ver a mensagem mais importante para os pais aqui é que bilinguismo em si não causa atraso no desenvolvimento da fala.  

Abaixo o excelente texto escrito pela Dra. Elisabete para os leitores de ‘Filhos Bilíngues’.   


*** 

Atraso no desenvolvimento da linguagem oral e bilinguismo
Por Elisabete Giusti

Muitas famílias vivenciam a experiência de serem bilíngues. Alguns autores até defendem a idéia de que hoje em dia, o bilinguismo não seja mais uma escolha da família, mas sim uma necessidade. Com a globalização é muito comum casais de diferentes nacionalidades constituírem uma família e quando chega um bebê, surgem algumas dúvidas, como por exemplo, que língua devemos falar com ele? A língua do papai, da mamãe ou apenas a língua do país de residência? Ou todas as línguas? Mas isso não irá confundí-lo?

Outra dúvida bastante frequente é: o bilinguismo não irá causar um atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem? Muitos pais até iniciam o ensino bilíngue, mas no primeiro sinal de “confusão” ou até mesmo “lentidão” no desenvolvimento da fala, cessam e passam a falar a mesma língua ensinada na escola, por exemplo.

Sobre o atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem, existem vários fatores que podem desencadeá-lo, como por exemplo, problemas auditivos (perdas auditivas), transtornos globais no desenvolvimento (quando a criança apresenta, além da dificuldade na fala, outras dificuldades, como pobre coordenação motora, dificuldade para resolver problemas práticos, não sabe brincar adequadamente, não compreende bem as instruções ou situações do dia-a-dia, não interage adequadamente, etc.). Problemas neurológicos e/ou genéticos também podem causar um atraso no desenvolvimento da fala. Além das causas orgânicas, existem também as causas ambientais como, por exemplo, a falta de estímulos adequados.

Existe também uma condição que pode justificar o atraso na fala, um quadro comum e que afeta muitas crianças: o Distúrbio Específico de Linguagem (Specific Language Impairment, SLI). Nestes casos, a criança é aparentemente normal, não possui nenhum problema, já realizou exames com resultados normais, no entanto, ela não consegue desenvolver adequadamente a linguagem oral. Atualmente acredita-se que o Distúrbio Específico de Linguagem ocorre devido a um funcionamento alterado em áreas responsáveis pelo processamento da linguagem no cérebro, é um desvio funcional e mesmo os exames mais convencionais para o estudo do cérebro como ressonância magnética ou tomografia, podem não detectar essas alterações.

De uma forma geral, crianças com Distúrbio Específico de Linguagem podem apresentar: atraso no aparecimento das primeiras palavras, dificuldade para combinar as palavras para formar frases, dificuldade na produção dos sons da fala (fala de difícil compreensão, com muitas trocas e omissões dos sons), dificuldade para aprender novas palavras (vocabulário restrito), dificuldade para relatar fatos, dificuldade para aprender as regras gramaticais, dificuldade para compreender piadas, duplo-sentido, linguagem figurada, dificuldade para contar uma história. Pode acontecer de outras pessoas da família ter dificuldades semelhantes.

Especificamente sobre o bilinguismo não existem evidências científicas que confirmem que seja uma causa de atraso no desenvolvimento da linguagem. O que pode acontecer é que a criança possui uma predisposição para apresentar um transtorno de linguagem (um Distúrbio Específico, por exemplo) e por isso, aparecem várias dificuldades, que podem ser erroneamente relacionadas ao bilinguismo. 

Crianças com transtornos específicos no desenvolvimento da linguagem apresentarão dificuldades linguísticas independentemente de quantas e de quais línguas são faladas em casa ou na escola.

Um outro aspecto que também é importante é que para aprender uma língua, a criança precisa de estímulos, de modelos e de um ambiente linguisticamente rico. Os pais devem conversar bastante e naturalmente com seus filhos, devem valorizar suas iniciativas de comunicação, devem ensinar novas palavras, devem brincar, ler muitas histórias, cantar, ver filmes, enfim devem valorizar a comunicação de uma forma ampla e prazerosa.

Se houver ansiedade, cobrança excessiva, insegurança na relação dos pais com a criança, isso poderá desencadear algumas dificuldades, inclusive um atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem. O aprendizado de uma língua também deve fazer sentido para a criança, ou seja, aprender uma língua não é apenas conhecer palavras, frases ou “falar como o papai ou a mamãe”.  Uma língua deve ser ensinada com todos os seus valores e cultura. Deve ser uma ferramenta para novas descobertas, trocas e vivências significativas.

“A principal ferramenta que a criança precisa para adquirir a linguagem é VOCÊ!”  (K. Apel, PhD, First Three Years)

 ***

.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Multiculturalismo: a experiência de quem teve uma criação bilíngue

Através da Andreia Moroni (vide post A experiência de voltar a morar no Brasilconheci a paulista Daniela Damiati, que gentilmente aceitou meu convite para escrever um relato para Filhos Bilíngues sobre sua interessante experiência linguística e cultural. O texto segue abaixo, e provavelmente vai proporcionar uma luz a muitos pais criando filhos bilíngues pelo mundo afora. 

Obrigada, Daniela, por compartilhar a sua história.

                                                           ***

Olá!

Eu sou a Daniela e vim aqui contar minha história para vocês. Falo não da perspectiva dos pais ou dos estudiosos do bilinguismo, mas sim do ponto de vista de quem teve uma criação bilíngüe.

Quando eu tinha dois anos, meu pai ganhou uma bolsa de estudos para fazer seu doutorado nos Estados Unidos. De imediato, nos mudamos para lá, onde ficamos durante cinco anos.

Já em terras norte-americanas, meus pais falavam entre si e comigo somente o português. Dessa maneira, nunca perdi o contato com minha língua materna. No entanto, logo comecei a ir à escolinha, onde aprendi a falar o inglês com bastante fluência.

Em pouco tempo, eu já falava e compreendia bem as duas línguas, mas teve início uma situação peculiar: meus pais falavam comigo em português, mas eu preferia responder quase sempre em inglês. Minha mãe relata que isto, inclusive, ajudou-a no aprendizado do inglês, já que ela não tinha visto de trabalho e ficava muito tempo em casa, sem contato próximo com falantes nativos.

Eu também costumava corrigir a pronuncia do meu pai, pois notava diferenças entre a fala dele (com sotaque) e a fala de um americano.

Lembro que quando meus pais se juntavam a seus amigos brasileiros, no caso de alguma confraternização, eu tinha dificuldades para entender o que falavam, pois conversavam muito rápido, mas eu gostava de escutá-los. As músicas brasileiras também estavam sempre presentes em nosso cotidiano, o que foi muito importante para que eu criasse um vinculo afetivo com a língua.

Este período da infância, fora do país, foi intenso, pois estudei numa escola com crianças de várias partes do mundo, filhos também de universitários estrangeiros que moravam nos Estados Unidos. Como aprendi o inglês muito cedo, me integrava muito bem com as crianças norte-americanas, pois falávamos o mesmo nível de inglês. Ao mesmo tempo, interagia bem com meninos e meninas de outros países que estavam aprendendo a língua. Essa escola era interessante porque todos os alunos tinham aulas regulares, mas as crianças estrangeiras, recém-chegadas ao colégio, recebiam reforço para aprender o inglês de modo mais rápido, para não perderem o conteúdo das aulas. Era um ambiente muito rico, com crianças das mais diversas etnias, religiões e continentes, o que tornava a diversidade uma parte trivial do nosso dia-a-dia.

Os cinco anos que passei nos Estados Unidos foram muito bons. Saí de lá alfabetizada em inglês, com uma fluência enorme na língua, mas sem nunca perder o vinculo com a minha língua materna, o português.

Ao retornarmos ao Brasil, meu pai queria falar comigo em inglês, visando manter nossa fluência, mas a iniciativa não me parecia natural, já que, até então, ele sempre havia falado comigo em português.  Então recusei a situação e passei a responder a ele em português também.

No interior de São Paulo, onde voltamos a morar assim que chegamos ao Brasil, era difícil encontrar alguém, naquela época (meados dos anos 1980), que tivesse fluência em outra língua. Nesse sentido, uma criança que falava inglês fluente e o português de modo razoável, mas com sotaque, era um grande chamativo. Todos queriam que eu dissesse coisas em inglês, mas me incomodava ser o centro das atenções. Nesse sentido, preferi me dedicar a aperfeiçoar o português o máximo que conseguisse.

Em pouco tempo já não tinha mais dificuldade para falar ou escrever em português e perdi até mesmo o sotaque do inglês. Meu único choque ao retornar ao Brasil foi com a escola. Como ela era particular, havia quase que uma unanimidade de alunos brancos, o que contrastava muito com a diversidade da minha escola anterior. Foi aí que entendi o que significava o preconceito.

Nessa escola tinha aulas semanais de inglês, mas tudo era muito básico, o que não me ajudava a manter o inglês adquirido. No entanto, tendo em vista a larga influência cultural americana, por meio de músicas, filmes e séries de TV, consegui manter o contato com a língua e nunca tive dificuldades com ela. Muito pelo contrário: mesmo hoje, passados mais de 20 anos desta experiência, eu ainda tenho fluência ao comunicar-me em inglês e sempre fui bem nas vezes em que fiz os exames de proficiência da língua inglesa.

Como esta experiência vivida ao longo da infância despertou minha atenção para outras culturas, durante adolescência quis fazer um novo intercâmbio cultural. Acabei optando por ir para a Bélgica, um país multicultural com três línguas oficiais, onde morei durante um ano. Lá, fiquei hospedada na região de Flandres e aprendi mais um idioma, o flamengo, que nada mais é do que o holandês com o sotaque e expressões típicas belgas. Certamente o fato de já ser fluente no inglês e português, ajudou-me muitíssimo no aprendizado de uma terceira língua, então fui uma das estudantes brasileiras que aprendeu mais rápido e com mais facilidade o holandês. Apesar de ter perdido um pouco do vocabulário, continuo me comunicando muito bem no holandês, mesmo agora, quando já se passaram 14 anos desta experiência.

Acredito também que não foi coincidência que, ao retornar ao Brasil, tenha escolhido a área de comunicação como opção no vestibular. Nos meus estudos na universidade, lembro de um texto que falava sobre como nossa visão de mundo é pautada pela língua que falamos. Isto me fez lembrar do que eu já tinha percebido intuitivamente nas minhas experiências fora do país: línguas anglo-saxãs como holandês e o inglês têm muitas palavras para exprimir situações e detalhar objetos. E não é à toa que a cultura deles é bastante organizada. Línguas latinas como o português, por sua vez, apresentam mais palavras que exprimem sentimentos. E, em regra, somos conhecidos por sermos muito emotivos. Claro que estas são generalizações, mas, de fato, sinto que quanto mais línguas você aprende, mais você amplia sua visão de mundo, bem como estimula a sensibilidade.

E por isto acredito que todo filho(a) deve ser estimulado a aprender a língua-mãe de seus respectivos pais. Isto só fará dele um ser humano com uma visão mais rica do mundo e das diversas culturas na qual ele está inserido.


.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Pesquisa sobre bilinguismo

Ana Paula Passos Jakubów, formada em Letras Inglês/Literaturas pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e mestranda em Linguística na área de Aquisição de Linguagem (Bilinguismo) pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, está fazendo uma pesquisa sobre bilinguismo e busca para participar de sua pesquisa três crianças bilíngues com até 4 anos de idade que tenham um dos pais falante nativo de português brasileiro e outro falante nativo de inglês. No texto abaixo, Ana Paula fala sobre o seu projeto. Você gostaria de participar? Então entre em contato com ela pelo email anapassos88@hotmail.com.

***


A globalização permite maior circulação de informações e pessoas pelo mundo. Através desse trânsito para diferentes áreas geográficas, pessoas de diferentes nacionalidades podem se conhecer e manter relacionamentos. Dessa forma, o nascimento de crianças que se tornam bilíngues – e até mesmo multilíngues – tem sido cada vez mais comum.

Desde o início do século XX, a aquisição bilíngue vem despertando o interesse de estudiosos. Um dos primeiros trabalhos é o do linguista francês Ronjat (RONJAT, J. Le développement du langage observe chez un enfant bilingue. Paris: Champion, 1913) que observou seu filho adquirindo duas línguas simultaneamente e constatou progresso na aquisição das suas línguas com poucos indícios de confusão entre as mesmas. Ao observar, também, sua própria filha adquirindo duas línguas simultaneamente, Leopold (LEOPOLD, W. Speech development of a bilingual child. A linguist’s record. New York: AMS Press, 1970. Original work published 1939 – 1949) constatou que a criança passou por uma fase de “confusão”, portanto a criança estava encarando o processo de aquisição de duas línguas como um processo único.
        
Levando em consideração as idéias acima e outras hipóteses mais recentes sobre aquisição bilíngue, conduzo uma pesquisa no meu curso de mestrado que pretende responder, em termos gerais, às seguintes questões:
  • Definir em que momento dois sistemas linguísticos são tomados como distintos na aquisição bilíngue;
  • Verificar a predominância de uma língua sobre a outra, com base no montante de input linguístico, a partir de estudos de caso específicos.
Sou esposa de polonês e meus filhos, provavelmente, serão multilíngues! Além de ser uma questão pessoal, resolvi levar para o lado científico e transformar esse assunto em objeto teórico de estudo para tentar compreender melhor esse processo de aquisição de duas ou mais línguas simultaneamente. A pesquisa com linguagem, entretanto, não pode ser conduzida exclusivamente no ambiente universitário. É necessário estar em contato direto com crianças que vivenciam esse processo, poder ter acesso ao seu comportamento linguístico cotidiano para que possamos acompanhar o desenvolvimento linguístico das crianças. Como futura mãe de crianças multilíngues e pesquisadora em aquisição de linguagem, gostaria de saber se alguém poderia contribuir para essa pesquisa com gravações de falas de seus filhos - que NUNCA terão os nomes divulgados por questões éticas do meio científico - para que possamos enriquecer ainda mais a literatura sobre aquisição de linguagem e educar nossos filhos da maneira mais apropriada - em questões linguísticas, é claro - sem medo de confundí-los. Para desenvolver essa pesquisa, preciso de 3 crianças bilíngues com até 4 anos de idade que tenham um dos pais falante nativo de português brasileiro e outro falante nativo de inglês (pode ser inglês americano, britânico, australiano, canadense, etc). O próposito é perceber quando e como se dá esse processo de "confusão" que assusta tantos pais na hora de oferecer uma educação bilíngue aos filhos. Assim, precisarei de gravações de falas espontâneas dessas crianças em situações naturais de interação com família e amigos. As gravações seriam de 30 minutos, uma vez por semana. Interessados em participar da pesquisa, por favor, entrem em contato através do e-mail anapassos88@hotmail.com.



.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Onde comprar livros em português em Londres

No último sábado passei a tarde na livraria Foyles, em Charing Cross Road aqui em Londres. A Foyels entrou no Guiness Book of Records como a maior livraria do mundo em termos de espaço de prateleiras (50 km) e número de títulos disponíveis (mais de 200.000).



Recentemente a Foyles comprou a livraria Grant & Cutler e incorporou-a à sua loja de Charing Cross Road. Grant & Cutler foi estabelecida em 1936 e hoje é a maior vendedora de livros em língua estrangeira do Reino Unido.

Junto com o departamento de línguas estrangeiras que já existia na Foyles, ‘Grant & Cutler at Foyles’ agora oferece um centro de excelência para línguas, com mais de 25,000 títulos disponíveis em 150 idiomas diferentes, cobrindo praticamente todas as línguas vivas - e algumas mortas. A melhor seleção de material para ensino de inglês como língua estrangeira do Reino Unido também se encontra aí.  

O novo departamento está localizado no primeiro andar da loja de Charing Cross Road. A fusão dos dois departamentos só será finalizada no dia 25 de março, mas já se pode ter uma idéia da grandeza do resultado. No dia que visitei havia até uma cliente chorando de emoção pelo número de livros disponíveis!

Não cheguei a chorar, mas fiquei empolgadíssima com a variedade de material em língua portuguesa: cursos de português para crianças e adultos, literatura infantojuvenil, literatura brasileira clássica e contemporânea, filmes, guias de viagem e até jogos, como ‘Scrabble’.

O estoque da Grant & Cutler também está disponível numa loja virtual. O catálogo do material em português pode ser acessado em formato pdf aqui e interativo aqui

Para quem mora no Reino Unido recomendo muito uma visita à Foyles de Charing Cross Road e especialmente ao novo departamento de línguas estrangeiras no primeiro andar. Quem não mora por aqui pode buscar os livros através da loja virtual.

Boa leitura!

.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...