terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Bilinguismo e atraso no desenvolvimento da fala

Recentemente conheci uma brasileira residente aqui na Inglaterra que tem um filho de três anos com quem ela fala somente em inglês. Quando lhe perguntei por que não falava português com a criança sua resposta foi: “Porque ele estava ‘travado’, não falava, então a professora do jardim nos recomendou que falássemos somente inglês com ele em casa.”

Essa brasileira não é um caso isolado. Muitos pais acreditam que crianças expostas a duas ou mais línguas tendem a ter um atraso no desenvolvimento da linguagem e ao menor sinal de lentidão ficam inseguros quanto a continuar ou não proporcionando uma educação bilíngue aos filhos.




 
Além disso, quando crianças que estão crescendo num ambiente bilíngue demonstram algum tipo de atraso ou distúrbio da fala, professores e até mesmo profissionais de saúde muitas vezes assumem que o problema é causado pelo bilinguismo e recomendam que a família passe a falar com a criança apenas na língua do país de residência.

Mas afinal, bilinguismo causa ou não atraso no desenvolvimento da fala?

Pesquisas
Pesquisas recentes são unânimes em concluir que crianças bilíngues começam a falar na mesma época que as monolíngues. Algumas crianças podem fugir um pouco da média, começando a falar um pouco antes ou um pouco depois das demais, independentemente do número de línguas a que estão expostas. Em suma, bilinguismo não causa atraso no desenvolvimento da fala nem protege contra atraso – simplesmente parece não fazer nenhuma diferença nesse sentido.  

Isso quer dizer que crianças bilíngues podem ter exatamente os mesmos distúrbios da fala que as monolíngues, portanto qualquer atraso significativo não deve ser tomado como normal em consequência do ambiente bilíngue – ele provavelmente é causado por algum outro fator e deve ser investigado. É muito importante que distúrbios sejam diagnosticados cedo, pois isso facilita muito a resolução dos problemas. 

E se algum profissional sugerir que você pare de falar sua língua materna com seu filho, não tenha medo de questionar a recomendação. Pergunte o por quê da medida, sua base científica (existe alguma evidência científica de que o monolinguismo vai ter um impacto positivo no tratamento do seu filho?) e, se necessário, procure uma segunda opinião, de preferência de um profissional que tenha experiência em bilinguismo. Na grande maioria dos casos a conversão ao monolinguismo não vai ter impacto no ritmo de desenvolvimento da linguagem, e em certas situações pode até gerar problemas emocionais.

Quando procurar ajuda
Como menciono acima, bilinguismo em si não causa atraso na fala, mas outros fatores podem causar, e quanto mais cedo um diagnóstico é feito, melhores são as perspectivas de solução do problema. Mas quando os pais devem procurar um especialista? O que exatamente constitui um ‘atraso’ no desenvolvimento da fala? Até que ponto uma demora no desenvolvimento da fala pode ser considerada normal?

Durante a aquisição da linguagem as crianças passam por fases distintas, que ocorrem dentro de períodos padrão. Segundo a equipe de fonoaudiologia da Clínica do Parque, de São Paulo, a aquisição da linguagem normalmente ocorre no seguinte ritmo:

De 0 a 6 meses a criança:
  • Produz ruídos, gritos e choro
  • Brinca com os barulhos que produz
  • Emite sons nos momentos em que está acordada e tranquila (por exemplo “aaa”, “uuu”)
  • Imita a entonação do adulto (jogo vocal)
De 6 a 12 meses:
  • Aumenta a quantidade de sons produzidos
  • Surge o balbucio: “baba”, “ma-ma-ma”
  • Torna-se possível uma espécie de diálogo
  • Atende pedidos simples, como mandar beijo, bater palminhas, dizer tchau.
De 1 a 2 anos:
  • Sabe dizer o próprio nome
  • Fase do grande “boom” da linguagem, início das primeiras palavras
  • Diz frases do tipo “nenê dormir”
  • Ao final dessa fase já é capaz de construir frases como “quero água”, “quero comer”
De 2 a 3 anos:
  • Uso de gestos acompanhados de fala (aponta e diz: “que é isto?”)
  • Diz frases simples como  “a bola caiu”
  • Começa a fase do “por que”, que exige grande paciência dos pais
  • Compreende histórias e atende ordens mais complexas, como feche a porta e apague a luz
  • Surgem as noções temporais (agora/depois, primeiro/último) e de quantidade (um/mais de um)
De 3 a 4 anos:
  • A criança já adquiriu a maioria dos sons, sendo capaz de produzi-los corretamente
  • É capaz de organizar o que fala e sequencializar fatos (com início, meio e fim)
  • Já faz uso de pronomes (eu, você, meu), preposições (de, por, para), plural e passado

Embora existam esses padrões, características individuais da criança e estímulos externos podem influenciar muito o ritmo de desenvolvimento da fala.  Há grandes variações. Uma autora conta que sua filha, educada em três idiomas, falava três palavras aos dois anos de idade: duas numa língua e uma em outra. Hoje a menina tem 21 anos e fala fluentemente os três idiomas. Nossa filha, por outro lado, igualmente educada em três idiomas, já falava uma dezena de palavras no seu primeiro aniversário.

As primeiras palavras geralmente são ditas pelo bebê entre os 9 meses e os três anos de idade – um período muito extenso, mas tanto a criança que diz a primeira palavra aos 9 meses quanto aquela que só começa a falar aos três anos pode estar dentro da normalidade. Algumas mães vão ficar aliviadas em saber que Albert Einstein só começou a falar aos três anos de idade – seus pais até o levaram a um especialista para investigar o problema.

No entanto, os pais devem seguir seus instintos e procurar ajuda médica tão logo desconfiem que a criança possa ter um problema. Alguns especialistas recomendam que se a criança não fala nenhuma palavra aos 18 meses, ou se os pais  não conseguem entender o que ela diz, o problema deve ser discutido com o pediatra, que poderá fazer uma avaliação individualizada, de acordo com as características específicas da criança.  Especialistas também dizem que se aos três anos a criança ainda come consoantes ou substitui um som ou uma sílaba por outra, os pais devem considerar uma avaliação fonoaudiológica.

O fato é que apenas contar o número de palavras que uma criança fala não é suficiente para determinar se o seu desenvolvimento está sendo normal. Ela pode não falar muito, mas se entende o que é dito a ela, o sinal é positivo. No entanto, se a criança não reage a estímulos verbais e parece não entender linguagem, o problema deve ser investigado o mais cedo possível.

O atraso da fala pode ter origem funcional, quando não há nenhum problema físico e a demora se deve à imaturidade da criança, ou orgânica, quando a causa está em algum problema fisiológico ou psicológico. As causas mais comuns de atraso no desenvolvimento linguístico são as seguintes.

Problemas de audição
É muito comum que atrasos no desenvolvimento da fala sejam consequência de problemas auditivos – a criança precisa ouvir para poder repetir os sons e associá-los aos objetos.  A audição da criança geralmente é testada no hospital logo após o nascimento, mas problemas podem aparecer mais tarde. A simples observação da criança vai dar pistas quanto a possíveis problemas: ela reage a barulhos altos, olha na sua direção quando você fala com ela? Bebês com problemas de audição podem parar de balbuciar por volta dos seis meses. Se os pais suspeitarem que há um problema auditivo, podem submeter a criança a exames que captam perdas de audição progressivas ou adquiridas. Quanto mais cedo melhor.

Problemas no desenvolvimento em geral
Descartada a possibilidade de uma deficiência auditiva, deve-se considerar o desenvolvimento da criança em outras áreas, pois o atraso da fala pode ser consequência de um atraso mais amplo no desenvolvimento. Por exemplo, a criança entende quando você fala com ela, tem habilidades visuais, segue comandos simples, tem boa coordenação motora? Aqui também, a criança pode ser submetida a testes específicos para determinar se o desenvolvimento como um todo está normal.

Transtornos neurológicos
Problemas da fala podem ser indício de transtornos neurológicos, incluindo as várias formas de autismo. Nem todas as crianças com problemas neurológicos apresentam atraso no desenvolvimento da fala, mas o atraso pode ser um sintoma precoce de algum problema nessa área.


Problemas no desenvolvimento emocional ou social
Um lar caótico ou em que os pais são muito exigentes, a falta de interação entre o adulto e a criança e muitos outros fatores podem causar problemas emocionais e sociais que também podem afetar o ritmo do desenvolvimento da fala. A família pode precisar da ajuda de um psicólogo para superar o problema.

Falta de estímulo
O desenvolvimento da linguagem exige estímulo. Se a criança não apresenta problemas de audição e do desenvolvimento em geral, os pais devem considerar se ela tem tido os estímulos necessários para falar. Para estimular as crianças é importante falar com elas desde cedo, usar um vocabulário rico, ler, cantar, brincar. Deve-se também dar oportunidades para a criança falar. Um especialista pode dar orientações específicas para os pais sobre como estimular a criança de maneira a facilitar o desenvolvimento linguístico e superar problemas causados pela falta de estímulo anterior.

Conclusão
  • Pesquisas confirmam que crianças bilíngues não demoram mais para começar a falar do que crianças monolíngues.
  • Crianças bilíngues se desenvolvem em ritmos diferentes, da mesma forma que as monolíngues, ou seja, algumas vão falar cedo, outras vão falar mais tarde.
  • Uma criança bilíngue com problemas de desenvolvimeno da linguagem deve ser tratada exatamente da mesma maneira que uma monolíngue.
  • O número de línguas a que uma criança está exposta normalmente não influencia o desenvolvimento da fala, portanto, se um professor ou ‘especialista’ recomendar que você deixe de expor seu filho a mais de um idioma, questione e procure uma segunda opinião, preferencialmente de um profissional com experiência em bilinguismo.  


Onde obter mais informação e ajuda

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25 comentários:

Neda disse...

Claudia, como sempre muito bom! Minha experiência pessoal e de muitos amigos é de que o que diferencia o desenvolvimento da fala é o estimulo e o ritmo de cada criança. Claro que conheço mais de uma família que fala em atraso na fala por conta do bilinguismo e depois de um tempo aprendi a simplesmente não falar o que penso e como foi com a minha família, o assunto gera MUITA ansiedade entre pais e principalmente mães e a pressão externa é grande. Pessoalmente, não me sinto a vontade para falar em um idioma que não é o meu, por mais fluente que eu seja. Mas, não vejo nada demais em, fora de casa, usar o idioma do local se a criança se mostrar incomodada com a atenção extra que o idioma gera.
Bjs

Dayane disse...

Otimo texto! Aqui eu e o marido acreditavamos ser normal o atraso pra criancas bilingues, ja estavamos esperando por isso. Bom saber que o bilinguismo nao tem influencia negativa no desenvolvimento da fala.

Aninha, a mamãe do viajante disse...

Maravilhosa postagem, rica em informações e que me deixou muito tranquila.
Como te escrevi anteriormente, meu menino fala duas palavras e em alemão, o que me deixava super preocupada.

Agora estamos passando um período no Brasil e espero que ele consiga desenvolver melhor a fala.

Beijocas :)

Paula disse...

COmo sempre ótima informacao!!! Aqui em casa também achavamos que o Samuel iria demorar mais, mas ele já se expressa um pouco mais que meu primo na idade dele, que também foi exposto a 3 linguas. COmo tudo, acredito que varia de crianca pra crianca e no más é estar atento a qualquer sinal de alguma coisa errada. Beijao e obrigada por nos tirar mais essa dúvida!

Ivan disse...

Ótimo post!

Estamos passando por uma experiência muito negativa com a nossa filha de - quase - 4 anos. Desde que ela nasceu, eu (que sou professor de Inglês) falo com ela apenas em Inglês e minha esposa, em Português. Notamos que a Fátima, não desenvolveu sua fala, ela ainda fala muito pouco... somente algumas palavras como strawberry, coffee, open, give me, put, got it... etc. E em português, ela praticamente não fala nada. Eu particularmente nunca tinha desconfiado que ela tinha algum tipo de doença, porque a Fátima é uma criança muito ativa, mas agora estamos fazendo alguns exames para ver se temos alguma resposta.

Sempre fui muito motivado em criar minha filha de forma bilingue, mas o maior problema é a sociedade, ninguém consegue compreender pq minha filha de quase 4 anos não fala. E como você deve estar imaginando, todos atiram pedras sobre nós. Dos amigos a família, todos dizem que esse atraso se deve ao fato de estarmos criando a Fátima de forma bilíngue. É muito duro, a forma com que a sociedade te julga. Semanalmente meus pais me ligam e dizem que a "culpa" desse atraso é toda minha. Sinceramente, fico desesperado... e caso tenha um segundo filho, vou pensar muito antes de tomar a decisão de ensiná-lo Inglês desde o nascimento.

Abraços,

Ivan

Claudia Storvik disse...

Olá Ivan, sinto muito pelo problema pelo qual estão passando. Infelizmente, o mito de que bilinguismo afeta o desenvolvimeno da fala persiste, e ainda provoca muita ansiedade nos pais. A ironia é que existe um risco do atraso ser causado exatamente por essa ansiedade. Pelo que você conta a Fátima parece ter um desenvolvimeno absolutamente normal em outras áreas, o que é um excelente sinal. Como menciono no post, o ideal é consultar um especialista com experiência de bilinguismo, o que pode ser difícil dependendo de onde você mora no Brasil. Em São Paulo ouvi falar desta clínica: http://www.clinicapotencial.com.br. Talvez eles possam indicar alguém na sua região. Boa sorte! Claudia

English-4U disse...

Oi Claudia! Muito obrigado por sua resposta, vou dar uma pesquisada nessa clínica.

Olha, como eu disse, a Fafá é muito esperta, faz a arte o dia todo, mas de fato, ela não é como as outras crianças da idade dela. Quando eu e minha esposa falamos alguma coisa com ela (seja em Português, seja em Inglês) por muitas vezes ela se faz de surda. Ela simplesmente se recusa a obedecer a maioria das coisas que pedimos. Tenho certeza absoluta que ela entende quando digo "don't do that!", mas mesmo assim ela não obedece. E isso acontece com tudo! Desde que nasceu, ela sempre teve grande exposição a língua Inglesa, algo como 80%. Por isso ela sempre assistiu desenhos em Inglês, aqui em casa até os canais a cabo são em Inglês, os canais em Português eu bloqueei, afinal de contas, nós moramos no Brasil e o contato com a língua portuguesa é inevitável. Seja atráves da minha esposa ou dos outros parentes e amigos. Sei também que ela compreende muito da língua Inglesa, ela passa horassss assistindo os dvds da "Strawberry Shortcake". No entanto quando perguntamos algo para ela (em ambas línguas) ela simplesmente não responde. Não sei o que acontece ele não tem paciencia para ficar nos ouvindo. No ano passado passamos uma temporada nos EUA, e trouxe de lá inúmeros livros para ler para Fafá... mas nem isso funcionou. Quando começo a ler, ela logo se distrai e começa fazer outra coisa... tipo jogar os brinquedos para cima, batucar a porta, etc... Ou seja, nada que façamos atrai a atenção dela. O único momento que ela se concentra é quando está assisitindo desenhos. Infelizmente essa situação está chegando a um ponto crítico pq ela não se comunica em língua alguma e qdo quer alguma coisa - em carater emergencial - ela simplesmente pega a nossa mão e nos leva ao objeto/lugar. Sempre tentamos recusar a fazer as vontades dela nesse sentido, tínhamos medo que atendendo as vontades dela através desses sinais a faria preguiçosa, e dessa maneira não usaria palavras para se comunicar, mas não adianta nada, ela não se esforça para falar nada, absolutamente nada.

Devido ao bilinguismo, acabamos atrasando o processo escolar dela, mas agora com quase 4 anos não estava dando mais e acabamos a matriculando num colégio. Ontem a coordenadora ligou para minha esposa no trabalho e pediu para que ela fosse na escola. Chegando lá, ela disse que a Fafá não obedecia a professora, disse que a professora falava com ela e ela ignorava. Disse também que deixou uma monitora por conta da Fafá pq ela não queria saber de ficar na sala durante a aula, só queria ficar no pátio brincando. Por final, é claro, ela disse que achava que a Fafá era assim devido ao bilinguismo. Nisso minha esposa argumentou dizendo que não, que a Fafá tinha mta exposição a língua portuguesa tb, mas jamais se esforçou para falar nada em qualquer idioma.

Se você olhasse a Fafá diria: "Ela é uma criança normal, como qualquer outra" e é isso que eu penso. Acredito que ela não tenha nenhum tipo de autismo (pelo menos ela passa longe no teste) e nem mesmo outro tipo qualquer de síndrome ou retardo. Agora ela está passando por uma série de exames neurológicos, mas tenho mto medo de que não consigamos descobrir o que ela tem na realidade. Tenho medo que minha filha se transforme em um tipo de "incógnita" da medicina. É nítido que ela não tem nenhuma dessas síndromes como a "Síndrome de Down" ou similares. Mas então o que ela tem? Nós a estimulamos tanto, das formas mais variadas. Por que ela simplesmente não fala? Como lidar com a sociedade? Como lidar com os professores?

Os professores botarem a culpa no bilinguismo é fácil, dificil é tentar entender que minha filha tenho algo além disso e saber lidar com o problema!

Como você pode perceber, estamos desesperados... e o problema, definitivamente, não é o bilinguismo e sim outra coisa, que infelizmente ainda não sabemos o que é!

Abraços,

-Ivan

Claudia Storvik disse...

Ola Ivan, espero que voces consigam descobrir logo qual e o problema da Fafa. Boa sorte e se precisar de algo estaremos aqui. Um abraco, Claudia

English-4U disse...

Muito obrigado Cláudia! Assim que tivermos uma resposta concreta, te direi. Abraços

Kaneda disse...

ola, achei o blog por acaso pelo google, mas gostei muito. Depois vou ler com mais calma. Estava a procura de respostas pelo atraso na fala, pois tenho o mesmo problema que o Ivan, a diferença é que moro no Japão. Minha filha já vai fazer 4 anos em julho agora, e dá para contar nas duas mãos as palavras que saem da sua boca. umas em japones outras em portugues. A creche acabou agora final de março, pois tivemos mais uma filha, e como minha esposa ainda não pode trabalhar, teve que tirar da creche. Depois disso ela parece que "abriu" mais a boca, mas palavras ou "silabas" que infelizente não entendemos. Não acho que ela tenha algum problema sério, apenas atraso. Mas assim como o Ivan, pressão externa acaba incomodando, como amigos e familiares. Fizemos exame de ouvido, mas dizem que está tudo normal, e o fono apenas disse que está atrazado. Espero uma resposta do Ivan, quem sabe algo não dê certo com ele, alguma idéia própria por exemplo. Qualquer novidade aqui também, venho postar no seu blog. Desde já parabéns pelo belo trabalho. Claudio

Anônimo disse...

Olá Claudia,
Eu achei seu blog por mediação de uma amiga e estou adorando já que tantas duvidas que vem a minha cabeça estou encontrando as repostas aqui.
Eu e meu marido somos dominicanos (falamos espanhol) mas moramos no Brasil faz 4 anos. nos temos dois meninos 8 e 4 anos de idade. O Mais velho chegou falando espanhol más com o passar do tempo o português foi passando a ser sua língua majoritária, hoje em dia ele é um bilíngüe passivo mas eu estou tratando de que ele fale espanhol já seja por meio de ler historias o cantar musica mas minha preocupação maior é o menor já que ele teve um atraso para falar.. com quase 3 anos ele falava pouca coisa e não se entendia quase nada do que ele falava;levei onde uma fono e ela me disse que ele estava construindo sua própria língua já que ele estava exposto ao português ,espanhol e assistia bastante video em inglês e isso estava confundindo a cabecinha dele, ela recomendou só falar português até ele ganhar confiança. Até na ultima avaliação da escola a professora sugeriu que o português fora falado em casa para que o aprendizado fora mas gratificante para ele..
Ele melhorou bastante más solo fala português; si eu pergunto como se disse alguma coisa em espanhol ela fala só mas não tem fluidez e além quando eu falo como se disse alguma coisa em espanhol ele pergunta que como se disse também em inglês ou seja ele tem consciência de que são 3 línguas diferentes.
Eu gostaria de saber o seguinte quando ele fala alguma palavra errada como eu devo corregi-o por exemplo quando ele disse "bona" eu devo falar boa o buena e outra coisa quando ele me fala alguma frase em português eu debo repeti-a em espanhol.
Eu agradeceria muito seu comentário já que eu tenho interesse sim de que eles sejam bilíngües

Claudia Storvik disse...

Ola e obrigada pelos comentarios. Vi que tambem deixou um comentario no post sobre bilinguismo passivo, que contem informacoes que tambem podem ser uteis para voce. Quanto a correcao, o post 23 dicas sobre bilinguismo diz: "Tente não se tornar a ‘polícia linguística’ de seus filhos. A correção excessiva dos erros pode inibir o desenvolvimento natural da língua. Porém, fique atento aos erros. Eles podem ser fonte de informação interessante… uma das estratégias efetivamente usadas é repetir a frase corretamente durante a conversa. Outra é simplesmente ‘guardar’ o erro e falar sobre ele dentro de um outro contexto." Sugiro que leia este post, que com certeza vai lhe ajudar bastante. Um abraco, Claudia

Wendy disse...

Oi Claudia obrigada pela informação..Só fiquei com a duvida de o que fazer quando eu falo espanhol e minhas crianças me respondem em português debo repetir o que eles falaram em espanhol o deixar passar..bjs

Claudia Storvik disse...

Ola Wendy. Continue falando espanhol com seus filhos. Ser um bilíngue passivo é melhor do que ser monolíngue. Quanto a repetir em espanhol ou nao o que eles dizem em portugues, isso eh uma escolha sua, nao existe regra nesse sentido. Talvez a melhor estrategia seja fazer o que lhe parecer mais natural. Um abraco, Claudia

Mayufox disse...

ola! Estava procurando atraso em desenvolvimento na fala e achei o seu blog. Me tirou muitas duvidas e me preocupou também.
Meu filho tem dois anos e 4 meses e não fala absolutamente nada compreensível. E exatamente como você disse, levamos no pediatra e ele disse que era para conversarmos somente em japonês com meu filho, o que foi difícil para mim, mas quando ele completou dois anos acabei por acatar. Passados 4 meses e a comunicação dele continua a mesma. Ele entende perfeitamente os dois idiomas mas não fala. E quando conversamos com ele, explicamos algo, ele ignora, ou as vezes não tem paciência para ouvir e tenta fechar nossa boca com sua mãozinha...rsr Confesso que no começo eu achava bonitinho mas com o tempo, e principalmente depois de ler seu texto fiquei preocupada. Levaremos nosso filho assim que possível a um especialista. Obrigada pelo ótimo texto e passarei a acompanhar o blog. Abraços

Claudia Storvik disse...

Ola, Mayufox. Sinto muito que meu artigo a tenha deixado preocupada. Mas o fato de 4 meses apos voces terem parado de falar portugues com seu filho a fala dele nao ter melhorado demonstra que o bilinguismo nao era o problema. Voces estao corretos em consultar um especialista, que certamente lhes dara a orientacao adequada para seu caso. Boa sorte e um abraco, Claudia

Nadja disse...

òtimo texto, conheço muitos adultos cujos pais desistiram de falar seus dois idiomas quando eles eram pequenos. Hoje esses adultos lamentam, que gostariam de ter aprendido a outra língua.
O mundo ainda não lida muito bem com esses assuntos, é fácil por a culpa em uma área a qual não se domina, não é mesmo? O desenvolvimento de cada criança é único e deve-se prestar atenção, sendo ela monolingue ou bilingue.
Acho que iniciativas como a sua, de tirar dúvidas e unir a comunidade bilingue ajudam a todos a desmistificar o assunto.

Beijos

Gabrilha disse...

Ola Claudia,
Sou brasileira, meu marido é francês, moramos na França e nosso filho tem 2 anos e 2 meses. Adorei o seu blog pois traz, além de fundamentos teoricos muitos conselhos e dicas pro cotidiano! Falo com meu filho geralmente em português, o pai fala em francês (mas entende e fala bem o português tb). As vezes, quando estou num lugar com muitos franceses e conversando em francês acabo falando francês com meu filho. As vezes estranho o fato de ter falado com ele em francês e repito o que acabei de dizer em português. Acontece tb, mas raramente, de falar em francês com ele em casa quando estamos soh nos três. Ele fala bastante, umas palavras em português e outras em francês (a grande maioria). Ele não muda de lingua segundo o interlocutor. Por exemplo, ele vai dizer "por favor" e "merci", "azul" e "vert" tanto pra um francês quanto pra um brasileiro. As vezes ele me diz uma frase ou palavra em francês e eu respondo em português geralmente reformulando o que ele disse (ele pede de l'eau, eu digo, vc quer agua?). Ao que ele pode dizer "oui" sem repetir em português ou repetir a palavra em francês (um pouquinnho chateado). Se respondo "papai diz l'eau, mamãe diz agua" ele me diz "non, maman l'eau, papa l'eau, caetano l'eau!!). Acontece o mesmo em português com seu pai (mas talvez o pai insista menos). Nao quero que ele misture as linguas ou que vire bilingue passivo. Não sei como reagir a esta resistência com relação a algumas palavras... Talvez ainda seja cedo pra ele fazer frases em uma ou outra lingua sem misturar mas não sei bem como fazer... Vou tentar seguir os seus conselhos e enriquecer ao maximo as ocasiões de contato com a lingua portuguesa (viajamos ao brasil sempre que podemos 2 x ao ano desde que nasceu, leio livros em português, canto, ouvimos musicas e as vezes ele vê um dvd de cocorico, ja começa a cantar algumas musicas)... mas não tenho muito contato com brasileiros na frança (moramos no interior) e nem como contratar baba brasileira pois não tem brasileiros por perto (ele passa o dia com uma baba e crianças francesas pois trabalhamos)... Gostaria de saber se sua filha começou a falar jah distinguindo as linguas em relação aos interlocutores. Obrigada pelas dicas! Parabéns pelo blog! Abraços!
Gabriella

Marcela disse...

Amei o seu blog, e me senti aliviada ao ler este post! Outro dia vi uma fita de aniversário de minha festa de 3 anos de idade, eu não falei muito coisa no vídeo, e depois confesso que fiquei preocupada pensando que tive algum problema em aprender a falar. Mas depois de ler aqui que entre os 9 meses e os 3 anos de idade é completamente normal aprender a falar, me senti aliviada! Obrigada pela explicação

p.s.: não cresci num ambiente bilíngue, minha mãe era professora de inglês e acho que ela falava algumas coisinhas comigo em inglês quando eu era bebê, mas não era o tempo todo, então não conta. hehe

Priscila disse...

Olá Cláudia. Somente ontem conheci seu blog e simplesmente ADOREI! O fato é que eu estava buscando respostas para a questão da minha filha de 03 anos. Ela nasceu no Brasil, mas desde os 06 meses moramos na Suécia. Aos 14 meses ela começou a frequentar a escolinha sueca, mas hoje, aos 03 anos, sinto que ela não fala nem sueco e nem português direito (português ela fala bem melhor, pois é a língua que falamos em casa, mas quando vemos crianças brasileiras de 03 anos, sentimos que nossa filha fala bem menos). Outro problema que para mim está sendo grave, é o desfraldamento. Antes ela só usava fralda quando saíamos de casa, pois durante as férias no Brasil no fim do ano, ela aprendeu e voltou fazendo xixi apenas no banheiro. Estava indo bem até voltar para a escola. Agora, ela piorou e não pede mais para ir ao banheiro nem em casa. Portanto, tenho quase certeza de que na escolinha ela deve pedir para fazer xixi, mas ninguém deve entendê-la - até porque as professoras já me disseram que ela fala português na escola. Acho que o problema na comunicaçäo está atrapalhando. Em casa, não temos contato com o sueco nem na TV, pois todos assistimos a programas em Inglês. Além disso, minha filha tem contato com bastante material em inglês e já sabe coisas como números, cores e algumas frases em inglês. Tenho a impressão de que ela sabe mais Inglês do que sueco. Desta forma, fiquei pensando se a solução não seria colocá-la numa escola internacional, até para ajudá-la quando retornarmos ao Brasil, onde ela já terá facilidade com o inglês e poderá frequentar uma escola bilíngue. Será que devo mudá-la de escola ou só vai confundi-la ainda mais? Agradeço se vc puder me ajudar. Priscila

Claudia Storvik disse...

Ola Priscila. Uma mudanca de escola pode ter efeitos sobre sua filha, mas nao necessariamente por causa da lingua. Pode ter certeza de que o fato de ela nao falar sueco nao resulta necessariamente em dificuldade de comunicacao. Conheco muitas criancas que foram para a escola sem falar a lingua local e nao tiveram problemas. Aqui voce pode ler a historia de uma delas: http://filhos-bilingues.blogspot.co.uk/2011/09/como-uma-crianca-de-tres-anos-se-tornou.html. Nesse sentido tambem sugiro que leia o post neste link: http://filhos-bilingues.blogspot.co.uk/2011/02/criancas-linguas-estrangeiras-e.html. Um abraco, Claudia

Priscila disse...

Obrigada Claudia, pela sua orientação. Tenho um blog que criei aqui na Suécia e gostaria de saber se você aceitaria participar de uma entrevista sobre bilinguismo na infância. Eu iria adorar postá-la em meu blog! Grande abraço!

Unknown disse...

Oi Claudia hoje conheci teu blog e estou amando...
Eu tenho uma filha de 18 anos que cresceu aprendedo 4 idiomas...
As vezes pergunto como é aprender 4 idomas de uma vez,e ela me responde que ñao sabe explicar que para ela foi algo normal.
Explico pq ela aprendeu os 4 idoma.
Moramos no norte da Espanha e aqui existe um segundo idioma que se chama Euskera é um idioma que ñao se pode comparar com nenhum outro pq é totalmente diferente.Ela na escola estudava bilingue que é todas as materias em euskera menos matematica e castellano,o idoma oficial do pais /Español) aprendeu em casa com o pai,na rua com amigos e etc...o portugues foi o primeiro idioma que aprendeu pq esse é o meu(mae), e o ingles que estuda desdos 6 anos de idade e teve dois anos seguido durante um mes estudar no USA ... Isso ñao quer dizer que ela fale os 2 ultimos(potugue e Ingles) perfeitamente,porem entede e se defende bastante bem,pq o que ela necessita é aperfeiçoar ... Só queria deixar minha experiencia com a minha filha que graças a deus ñao teve nenhum problema em aprender varios idioma e se tornar uma poliglota..

Sonia disse...

Olá. Obrigada pela entrada. Vou partilhar aquí as minhs experiencias com meus filhos multilingües.
http://las3lenguasdemis2hijos-sonia.blogspot.com.es/2012/12/eu-tenho-sim-o-la-reivindicacion-del.html

cristiane friedrich disse...

Bom dia, Ivan! Entendo seu conflito, moramos muitos anos nos EUA e depois mudamos para o Brasil quando minha filha tinha 2 anos, continuamos a falar ingles com ela em casa e a falar portugues "na rua" ou quando haviam parentes por perto para não ofender ninguem. Colocavamos desenhos em ingles no You Tube para ela assistir. Meu marido tambem foi professor de ingles. Nos primeiros meses foi dificel pra ela pois somente entendia o portugues mais tinha dificuldade em responder. Alem do que as outras crianças e professoras davam atenção exagerda a ela e queriam que ela falase ingles com eles de uma maneira repetitiva o que a incomodava muito. Victoria sempre foi uma criança extrovertida, mas estava demais e ela não reagio bem a toda a atenção. Tipo de quando a apresentavam a alguem novo era a menina que fala ingles, como se ela não tivesse outras qualidades... Mas depois dos meses inicias ele se adaptou bem.

Aguarde os resultados do exames, mas na minha opinião não deixa de falar ingles com a Fatima (nem se for o caso do proximo bebe). Nem se alarme tambem pois sempre vai ter muitas opniões de todos a seu redor de como educar tua filha, não somente na lingua mas em todos os aspectos (ex: refrigerante, doces, ...!?). Como tudo na vida, tente separar os coselhos bons dos "interessante, mas não se aplica pra mim / minha familia" e continue seus esforços com o ingles.
Abraços e força!
Cristiane

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