Mostrando postagens com marcador Internacionalismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Internacionalismo. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de março de 2012

Pensando em voltar ao Brasil?

A Folha.com publicou hoje uma série de artigos sobre as dificuldades que brasileiros imigrantes e expatriados enfrentam ao voltar ao Brasil. Segundo o jornal, enquanto mora fora a pessoa tende a idealizar a própria terra. No entanto, ao retornar ao Brasil, além da dificuldade de readaptação, alguns enfrentam até depressão. 


Num dos artigos, a psicóloga Kyoko Nakagawa, coordenadora do projeto Kaeru de reintegração de crianças que voltam do Japão, diz que a adaptação em um país estrangeiro se dá em seis meses, mas a readaptação ao país de origem demora dois anos. 

Abaixo, os links para os artigos da Folha.com:

Para quem está retornando, a “Cartilha: Brasileiras e Brasileiros no Exterior - Informações Úteis”, lançada pelo Itamaraty em 15 de janeiro de 2008, contém um capítulo entitulado "Voltando ao Brasil", com dicas que visam ajudar imigrantes e expatriados na reintegração ao mercado de trabalho brasileiro. Vale a pena conferir. Alguns dos tópicos abordados na cartilha são:






Boa sorte!


.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Multiculturalismo: a experiência de quem teve uma criação bilíngue

Através da Andreia Moroni (vide post A experiência de voltar a morar no Brasil) conheci a paulista Daniela Damiati, que gentilmente aceitou meu convite para escrever um relato para Filhos Bilíngues sobre sua interessante experiência linguística e cultural. O texto segue abaixo, e provavelmente vai proporcionar uma luz a muitos pais criando filhos bilíngues pelo mundo afora. 

Obrigada, Daniela, por compartilhar a sua história.

                                                           ***

Olá!

Eu sou a Daniela e vim aqui contar minha história para vocês. Falo não da perspectiva dos pais ou dos estudiosos do bilinguismo, mas sim do ponto de vista de quem teve uma criação bilíngüe.

Quando eu tinha dois anos, meu pai ganhou uma bolsa de estudos para fazer seu doutorado nos Estados Unidos. De imediato, nos mudamos para lá, onde ficamos durante cinco anos.

Já em terras norte-americanas, meus pais falavam entre si e comigo somente o português. Dessa maneira, nunca perdi o contato com minha língua materna. No entanto, logo comecei a ir à escolinha, onde aprendi a falar o inglês com bastante fluência.

Em pouco tempo, eu já falava e compreendia bem as duas línguas, mas teve início uma situação peculiar: meus pais falavam comigo em português, mas eu preferia responder quase sempre em inglês. Minha mãe relata que isto, inclusive, ajudou-a no aprendizado do inglês, já que ela não tinha visto de trabalho e ficava muito tempo em casa, sem contato próximo com falantes nativos.

Eu também costumava corrigir a pronuncia do meu pai, pois notava diferenças entre a fala dele (com sotaque) e a fala de um americano.

Lembro que quando meus pais se juntavam a seus amigos brasileiros, no caso de alguma confraternização, eu tinha dificuldades para entender o que falavam, pois conversavam muito rápido, mas eu gostava de escutá-los. As músicas brasileiras também estavam sempre presentes em nosso cotidiano, o que foi muito importante para que eu criasse um vinculo afetivo com a língua.

Este período da infância, fora do país, foi intenso, pois estudei numa escola com crianças de várias partes do mundo, filhos também de universitários estrangeiros que moravam nos Estados Unidos. Como aprendi o inglês muito cedo, me integrava muito bem com as crianças norte-americanas, pois falávamos o mesmo nível de inglês. Ao mesmo tempo, interagia bem com meninos e meninas de outros países que estavam aprendendo a língua. Essa escola era interessante porque todos os alunos tinham aulas regulares, mas as crianças estrangeiras, recém-chegadas ao colégio, recebiam reforço para aprender o inglês de modo mais rápido, para não perderem o conteúdo das aulas. Era um ambiente muito rico, com crianças das mais diversas etnias, religiões e continentes, o que tornava a diversidade uma parte trivial do nosso dia-a-dia.

Os cinco anos que passei nos Estados Unidos foram muito bons. Saí de lá alfabetizada em inglês, com uma fluência enorme na língua, mas sem nunca perder o vinculo com a minha língua materna, o português.

Ao retornarmos ao Brasil, meu pai queria falar comigo em inglês, visando manter nossa fluência, mas a iniciativa não me parecia natural, já que, até então, ele sempre havia falado comigo em português.  Então recusei a situação e passei a responder a ele em português também.

No interior de São Paulo, onde voltamos a morar assim que chegamos ao Brasil, era difícil encontrar alguém, naquela época (meados dos anos 1980), que tivesse fluência em outra língua. Nesse sentido, uma criança que falava inglês fluente e o português de modo razoável, mas com sotaque, era um grande chamativo. Todos queriam que eu dissesse coisas em inglês, mas me incomodava ser o centro das atenções. Nesse sentido, preferi me dedicar a aperfeiçoar o português o máximo que conseguisse.

Em pouco tempo já não tinha mais dificuldade para falar ou escrever em português e perdi até mesmo o sotaque do inglês. Meu único choque ao retornar ao Brasil foi com a escola. Como ela era particular, havia quase que uma unanimidade de alunos brancos, o que contrastava muito com a diversidade da minha escola anterior. Foi aí que entendi o que significava o preconceito.

Nessa escola tinha aulas semanais de inglês, mas tudo era muito básico, o que não me ajudava a manter o inglês adquirido. No entanto, tendo em vista a larga influência cultural americana, por meio de músicas, filmes e séries de TV, consegui manter o contato com a língua e nunca tive dificuldades com ela. Muito pelo contrário: mesmo hoje, passados mais de 20 anos desta experiência, eu ainda tenho fluência ao comunicar-me em inglês e sempre fui bem nas vezes em que fiz os exames de proficiência da língua inglesa.

Como esta experiência vivida ao longo da infância despertou minha atenção para outras culturas, durante adolescência quis fazer um novo intercâmbio cultural. Acabei optando por ir para a Bélgica, um país multicultural com três línguas oficiais, onde morei durante um ano. Lá, fiquei hospedada na região de Flandres e aprendi mais um idioma, o flamengo, que nada mais é do que o holandês com o sotaque e expressões típicas belgas. Certamente o fato de já ser fluente no inglês e português, ajudou-me muitíssimo no aprendizado de uma terceira língua, então fui uma das estudantes brasileiras que aprendeu mais rápido e com mais facilidade o holandês. Apesar de ter perdido um pouco do vocabulário, continuo me comunicando muito bem no holandês, mesmo agora, quando já se passaram 14 anos desta experiência.

Acredito também que não foi coincidência que, ao retornar ao Brasil, tenha escolhido a área de comunicação como opção no vestibular. Nos meus estudos na universidade, lembro de um texto que falava sobre como nossa visão de mundo é pautada pela língua que falamos. Isto me fez lembrar do que eu já tinha percebido intuitivamente nas minhas experiências fora do país: línguas anglo-saxãs como holandês e o inglês têm muitas palavras para exprimir situações e detalhar objetos. E não é à toa que a cultura deles é bastante organizada. Línguas latinas como o português, por sua vez, apresentam mais palavras que exprimem sentimentos. E, em regra, somos conhecidos por sermos muito emotivos. Claro que estas são generalizações, mas, de fato, sinto que quanto mais línguas você aprende, mais você amplia sua visão de mundo, bem como estimula a sensibilidade.

E por isto acredito que todo filho(a) deve ser estimulado a aprender a língua-mãe de seus respectivos pais. Isto só fará dele um ser humano com uma visão mais rica do mundo e das diversas culturas na qual ele está inserido.


.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Mudanças de país e a identidade das crianças

No post ‘Third culture kids’ (crianças de terceira cultura) trato de crianças que, por viverem em um país de cultura diferente da que compartilham com seus pais, se tornam parte de uma ‘terceira cultura’, que é mais que simplesmente uma mistura das várias culturas a que estão expostas. 



Segundo alguns estudiosos, o desenvolvimento num ambiente ‘cross-cultural’ faz com que a criança incorpore as várias culturas profundamente no seu processo de raciocínio, o que a torna uma verdadeira pensadora multicultural. Essa lógica multicultural naturalmente influencia a maneira como a criança se relaciona com o mundo à sua volta e a torna diferente dos membros das várias culturas a que está exposta, mesmo as mais assimiladas por ela.

Conforme menciono no post, esse jet lag cultural pode gerar problemas de identidade. As dificuldades encontradas por algumas dessas crianças podem afetar sua saúde física e emocional, à medida que elas tentam determinar sua identidade cultural e seu lugar no mundo.


A especialista americana Ruth E. Van Reken, coautora do livro Third Culture Kids: The Experience of Growing Up Among Worlds (Crianças de terceira cultura: a experiência de crescer entre mundos) deu uma entrevista à revista Veja algum tempo atrás, que pode ser de interesse para alguns pais leitores do blog. Nessa entrevista a pesquisadora explica que crianças de terceira cultura podem ter dificuldades em identificar qual cultura, entre as tantas que conhecem, define melhor sua identidade. Elas podem também sentir dificuldade em retornar ao país de origem. 


Outro desafio, segundo a especialista, são os ciclos de separação e perda inerentes ao estilo de vida de uma criança de terceira cultura. “Os relacionamentos dessas crianças são rompidos e, assim, elas perdem seu lugar na comunidade e na cultura que aprenderam a amar.” Ela conclui que crianças de terceira cultura acabam encontrando uma maneira criativa de usar as experiências que vivenciaram, mas que esse pode ser um processo demorado.


A entrevista pode ser lida na íntegra aqui. 


A revista Veja publicou outras duas reportagens sobre crianças de terceira cultura, que podem ser lidas aqui e aqui.


.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

O que não dizer para seus sogros estrangeiros nas festas de fim de ano

Assim como eu, muitos dos leitores de ‘Filhos bilíngues’ são casados com pessoas de nacionalidade diferente da sua. Nessa situação, nosso relacionamento com a família de nossa cara metade pode ser excelente ou um tanto quanto atribulado, mas em todos os casos um pouco de tato de nossa parte pode surtir bons efeitos.



Tenho muita sorte pois a família de meu marido é maravilhosa e me adotou de coração. No entanto, durante esse meu ano e pouco na globosfera materna internacional percebi que o mesmo não ocorre em todos os casamentos internacionais, e que brasileiros e brasileiras sofrem pelo mundo afora por causa de conflitos com sogros, cunhados, sobrinhos, etc.  Na maioria das vezes as causas desses conflitos são diferenças culturais. Como lidar com tais diferenças poderia ser o tema de um tratado de mestrado, mas existem algumas regras simples que, mesmo não resultando necessariamente num relacionamento harmonioso, podem pelo menos ser usadas para evitar conflitos.

Sem sombra de dúvida, a regra mais importante é ser diplomático - sempre. Mas o que isso significa na prática? Pelo menos para as festas de fim de ano, encontrei dicas excelentes num artigo do site Multilingual Living.  O texto traz uma lista das 10 coisas que pessoas em casamentos internacionais que estejam indo passar as festas com a família do cônjuge realmente devem evitar dizer para seus sogros durante a visita. Abaixo, a lista das dez frases destruidoras da paz:

1.    “Em meu país nós nunca preparamos este prato desta maneira.”
Resista ao impuso de explicar como o prato em questão é preparado em seu país de origem. O melhor é elogiar a comida e pronto.  

2.    “Eu não vejo a hora de voltar a morar no Brasil.”
Se você vive perto dos seus sogros, falar sobre uma mudança para outro país pode deixá-los muito tristes.

3.    “A maneira como se faz [x, y, z] neste país é horrível.”
Acho que essa dispensa qualquer comentário...

4.    “Como alguém pode viver com esse clima horrível?”
Seus sogros podem apreciar o clima do lugar vivem e, mesmo que não gostem, um comentário desses não vai levar a nada.

5.    “O governo neste país é tão… ”
Falar sobre política com qualquer um é complicado, portanto o tema requer muito cuidado. Mesmo que você e seus sogros tenham as mesmas convicções políticas, algumas afirmações são arriscadas e podem ser entendidas como um ataque.

6.    “Seu filho/filha não gosta mais disso.”
Num casamento internacional cada um tem que se adaptar aos costumes do cônjuge, que podem ser bem diferentes. Seus sogros podem não perceber exatamente quais preferências e costumes de seu filho/filha mudaram. Se alguém tem que falar sobre isso com eles, melhor que seja seu esposo e não você.

7.    “Por favor não se meta na nossa vida.”
Principalmente com relação à educação de nossos filhos, o fato de não querermos fazer as coisas da mesma maneira que nossos sogros não significa que nós não podemos pelo menos ouvir seus conselhos. Simplesmente não precisamos seguí-los.

8.    “Nossos filhos adoram estar com meus pais.”
Independentemente da qualidade do relacionamento de seus sogros com seus filhos, nunca os compare com seus pais.

9.    “A maneira como sua família faz as coisas é realmente estranha.”
Pode parecer inofensivo mencionar as diferenças que nos irritam, mas esse nem sempre é o caso, e muitas vezes isso pode magoar até nosso próprio esposo. O melhor é reconhecer que as coisas são diferentes. Se algo for um problema muito grande converse separadamente sobre isso com seu cônjuge.

10. “Posso lhe dar um conselho?”
Mesmo que você ache que um membro da família de seu esposo poderia estar agindo de modo diferente, se a situação não atinge você diretamente, melhor ficar de bico calado.

Feliz ano novo a todos, e muita diplomacia com os sogros internacionais!



.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Brincar-es

Você cohece o Brincar-es? Neste post, Anlene Gomes de Souza, coordenadora geral do projeto, conta um pouco sobre esta excelente iniciativa, que merece todo o nosso apoio.




"Brincar-es é um projeto infantil idealizado no final de 2007. Não tem fins lucrativos e realiza-se por meio de ajudas e voluntários que doam tempo e habilidades para que seja possível viabilizá-lo. Surgiu da necessidade de propor atividades infantis para as crianças que se reuniam nos Orkontros organizados por uma comunidade do Orkut, formada apenas por mulheres brasileiras que moram em Madri. Participei desta comunidade ativamente entre 2007 e 2009, ajudando a organizar muitos encontros de mulheres brasileiras. Parte da equipe organizadora costumava preparar um cantinho para as crianças, com jogos, desenhos e brinquedos, para que elas pudessem se distrair enquanto as mães participavam do encontro.  

Como tudo começou
No início de 2008, pensei em criar um projeto voltado para os filhos de brasileiros. Impressionou-me a dificuldade das mães para lidar com o português e o espanhol com seus filhos. Também me chamou a atenção a mistura dos idiomas, dificultando uma separação entre as duas línguas. O espanhol e português são muito próximos, como todos sabemos, é uma tendência natural falar e pensar usando expressões dos dois idiomas. O famoso “portunhol” é muito comum. Grande parte dos brasileiros que vivem na Espanha não chega a estudar espanhol, por falta de oportunidade ou por acreditar que é uma língua “fácil”. Os vazios deixados por esta falta de aprendizagem são importantes. É um tema linguístico que merece um estudo pormenorizado. Pessoalmente, acredito que a proximidade dos idiomas também dificulta a valorização de uma educação bilíngue, que valorize as diferenças.

Apresentei a ideia inicial do projeto a um grupo de amigas – Valéria Prado, Neide Viana e Suely Andreatta –, que também participava da organização dos orkontros. O objetivo era realizar quatro encontros infantis anuais, um a cada estação, com temas relacionados a aspectos da cultura brasileira: música, literatura, teatro e festas. Este grupo inicial realizou dois encontros do projeto, que na época chamava-se “Brincar es jugar”. Após um período de inatividade, ao final de 2008 as atividades do Projeto foram retomadas e novas mulheres se juntaram ao grupo inicial para produzir o terceiro encontro. Nesta ocasião houve uma mudança também de nome e este passou a chamar-se Brincar-es.

Brincar-es na atualidade
O Brincar-es é desenvolvido pela AVA – Asociación Sociocultural de Mujeres Hispano Brasileñas Verdeamareliña, entidade que presido junto a Ana Paula Santos. Foi criada para organizar os encontros do Brincar-es e também outras atividades para a comunidade de pais e crianças brasileiras de Madri. A equipe mudou e da formação inicial somente Suely e eu continuamos ativas. Outras pessoas entraram e saíram desde 2008, mas sempre contamos com ajudas voluntárias.

A programação de todos os eventos é sempre em português para fortalecer os laços com a cultura brasileira. Além disso, também há atividades de integração para os pais. Promovemos encontros regulares em que as crianças interagem, fortalecem os laços de amizade e o interesse por nossa cultura por meio de brincadeiras e atividades culturais. Também celebram-se algumas datas comemorativas do Brasil, como Carnaval, Festa Junina, Dia das Crianças, entre outras. É muito gratificante acompanhar as crianças, algumas frequentam nossos encontros desde 2008.

Conquistas e futuro
Em quase três anos de existência aprendemos muito e lançamos muitas sementes, mas esperamos crescer nos próximos anos e consolidar alguns de nossos objetivos.

O projeto conta com o apoio da Casa do Brasil que nos cede o espaço para a realização de alguns encontros com aval da Embaixada do Brasil. Também usamos os espaços de uma rede de centros culturais municipais voltados para imigrantes. Tivemos alguns patrocínios nos últimos encontros de pequenas empresas de brasileiros que atuam em Madri.

As maiores dificuldades encontradas são a falta de espaço, apoio e recursos. Tudo é feito dentro de nossas disponibilidades de tempo e de modo voluntário. Há uma certa resistência por parte de alguns promotores culturais, oficiais ou não, em aceitar que um projeto divulgue a cultura brasileira em português, e não em espanhol como é normal por aqui. Acreditamos que há espaço para todos e que existe um número expressivo de famílias que também deseja preservar e valorizar a língua portuguesa. Além disso, há pais que não acreditam que o bilinguismo e o contato com a cultura brasileira sejam prioridades na educação de seus filhos.

Os planos para o futuro são muitos, entre os principais continuar a crescer, obter mais apoios e patrocínios. Em 2012 queremos dar início às aulas de português para dois grupos de brasileirinhos da faixa etária de 4 a 10 anos.

Estamos em plena ação nestes meses de outubro e novembro. Faremos o 1º Seminário Brincar-es sobre bilinguismo e legislação para estrangeiros e o 1º Concurso de Desenhos Brincar-es para toda a Espanha, inspirado em iniciativa similar do MRE. Dia 26 de novembro ocorrerá o Brincar-es 8 com contação de história e brincadeiras. Toda a informação está em nossa página do Facebook: www.facebook.com/Brincar.es.

Equipe Brincar-es
Coordenação Geral
Anlene Gomes de Souza
Coordenadoras de áreas
Ana Paula Santos, Caroline Timm, Maria Carolina Fernandez e Suely Andreatta
Assessoria linguística
Bethania Guerra

Contato
brincares@gmail.com
Facebook: www.facebook.com/Brincar.es
Twitter: @brincares"








.

domingo, 11 de setembro de 2011

Como uma criança de três anos se tornou bilíngue em seis meses

Além de minha filha, os três  filhos de meu irmão e a filha de minha irmã são bilíngues. Hoje vou contar aqui a história de minha sobrinha Maria, que é um ano mais nova que minha filha.



Maria nasceu no Brasil e lá viveu até os três anos. Frequentou um jardim de infância na sua cidade natal dos dois aos três anos de idade.

Logo após Maria completar três anos, seus pais se mudaram para a Inglaterra para fazer uma pós-graduação. Ela veio com eles. A rapidez com que a pequena aprendeu inglês, bem como o processo como esse aprendizado se deu, diante dos nossos olhos, foram surpreendentes.

Quando aqui chegou, Maria não falava uma palavra sequer de inglês, mas tinha muita vontade de aprender, pois sua priminha mais velha (minha filha) falava inglês fluentemente e ela também queria falar. A família passou a morar num apartamento ao lado de nossa casa, e estávamos sempre em contato. Em casa todos falávamos português, com exceção de meu marido, que se comunicava com todos em inglês. O contato de Maria com a língua inglesa em casa era portanto mínimo.

No entanto, algmas semanas depois de sua chegada, Maria começou a frequentar a “nursery” na mesma escola onde minha filha estudava. Começava uma revolução.

Alguns dias após começar a frequentar a escola, Maria passou a emitir sons quando brincava sozinha, quase que como um bebê balbuciando, mas esse balbuciar soava como alguém falando frases na língua inglesa, algo como “out wra-row get-wey!”. A sua profesora, nossa querida Mrs Roberts, nos contou que muitas vezes Maria fazia isso na sala de aula e quando ela ia ver o que a menina estava dizendo - pois parecia estar falando inglês - percebia que se tratava apenas desse balbuciar com sotaque...

Um incidente engraçado ocorreu no dia em que Maria de repente passou a dizer insistentemente para a professora: “Lps! Lps! Lps!” Sem entender o que ela queria dizer, a professor chamou minha filha para traduzir. Minha filha perguntou a Maria – em português - o que ela queria, ao que obteve a resposta: “Lps!”. Disse então à pobre Mrs Roberts – que a essa altura já suava em bicas - que não  tinha idéia do que Maria queria, pois também  não  estava falando português. Demos boas risadas quando minha filha nos contou a história, e até hoje não  sabemos o que Maria queria dizer com “Lps!”.

Após algum tempo a pequena passou a falar frases inteiras em inglês – sem ter passado por uma fase em que falasse palavras soltas. No entanto, era claro que apesar de dizer as frases perfeitamente com um lindo sotaque britânico, Maria não  tinha idéia do que estava dizendo. As frases eram obviamente aquelas que ela ouvia com mais frequência na escola. Nessa fase a observávamos falando inglês com meu marido, mas usando frases totalmente fora de contexto. Um exemplo de um diálogo típico seria:

Meu marido: “How are you today?”
Maria: “Let’s play now.”
Meu marido: “Have you had dinner?”
Maria: “Well done!”

No entanto, muito rapidamente Maria passou a dominar o significado das palavras e frases e se tornou capaz de se comunicar em inglês de maneira muito eficiente. Seis meses após ter chegado na Inglaterra já se podia dizer que ela era bilíngue.

Maria ficou na Inglaterra quatro anos, passou a falar inglês como nativa, e após algum tempo começou a ter problemas com o português, tanto que se tivesse uma opção ela geralmente preferia falar inglês ao invés de português. Em resumo, o inglês havia se tornado sua língua dominante.

Para nós, a experiência de ver diariamente o processo de aprendizado de uma língua estrangeira por uma criança de três anos foi uma coisa interessantíssima. A facilidade, rapidez e naturalidade com que o aprendizado se deu surpreenderam a todos. A meu ver, o processo não  foi de todo diferente de como aprendemos uma primeira língua: praticamos os sons daquela língua, nos familiarizamos com um grande número de palavras sem necessariamente saber seu significado e então partimos para a comunicação efetiva. A capacidade de aprendizado das crianças é realmente fenomenal.

A história da volta de Maria ao Brasil, com um inglês muito melhor que o português, também é muito interessante, mas é assunto para um outro post.



Copyright © Claudia Storvik, 2011. All rights reserved. 
.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Bullying social

Muitas vezes filhos de imigrantes ou expatriados têm problemas com bullying na escola, pois crianças que são de alguma forma diferentes dos seus pares são os alvos mais frequentes de intimidações.

Infelizmente, quando uma criança bilíngue sofre bullying em razão de suas raízes internacionais, ou por seu sotaque, ou até mesmo pelo simples fato de falar duas línguas, ela pode ser levada a negar suas origens, e consequentemente seu bilinguismo, para tentar ser igual às outras crianças à sua volta, ou seja, ela pode passar a querer ser 100 por cento monocultural e monolíngue, e se recusar a falar a língua minoritária. Os pais têm que estar muito atentos para lidar com estas e outras possíveis consequências desse tipo de agressão. Efeitos psicológicos negativos podem persistir até muitos anos após a ocorrência do bullying.

Mas o que exatamente é bullying?

Até pouco tempo atrás, a palavra bullying estava ligada a imagens de rapazes mal-humorados, fisicamente agressivos, com problemas sociais e baixa autoestima. Embora este tipo de bullying ainda exista, a realidade é bem mais complicada. Muitos bullies têm habilidades sociais bem desenvolvidas, autoestima elevada, e são mestres em manipular os adultos a fim de parecer inocentes. Muitos deles são meninas.

Bullying pode assumir a forma de agressão física, verbal ou emocional. Um tipo de agressão emocional muito comum é o chamado bullying social ou relacional, que se refere a agressão emocional entre as pessoas nas relações sociais. Ele pode ter muitas formas, mas geralmente envolve o uso de um "grupo" como uma arma para ferir alguém, prejudicando seus relacionamentos e sua reputação.

Apesar de poder ocorrer desde a escola primária até a universidade, bullying social é muito comum entre pré-adolescentes, e é extremamente prejudicial nessa fase, porque enfraquece alguns dos mais importantes objetivos e necessidades pessoais dos jovens: a inclusão social, uma auto-imagem positiva e o desenvolvimento de amizades significativas.

Bullying social é hoje  provavelmente o tipo mais comum de assédio psicológico em escolas, e na maioria das vezes passa despercebido e sem intervenção. Ao invés de agressões físicas, bullying social implica numa série de comportamentos, que podem incluir fofocas e boatos, insultos verbais, exclusão social, manipulação de amizades, linguagem corporal negativa e cyber-bullying. Bullying social é praticado muitas vezes por crianças populares, especialmente as meninas, e o agressor geralmente é recompensado com adulação e maior popularidade.

Fofoca e ostracismo social podem vir bem abaixo na lista de prioridades de educadores que tentam impedir bullying; no entanto, pesquisas indicam que, além dos danos psicológicos potencialmente devastadores para as vítimas, o bullying social está intimamente relacionado a uma cultura de agressividade nas escolas, por isso é importante que educadores tomem medidas contra ele. A escola deve ser uma zona livre de assédio. Potenciais provocadores, vítimas e testemunhas devem aprender a ser assertivos - e não agressivos ou passivos - ao lidar com problemas que eles vivenciam diretamente ou testemunham.

A intervenção por parte de educadores não é fácil, porque a escola não tem que trabalhar apenas com o agressor e a vítima, como geralmente ocorre no caso de agressões físicas, mas tem de considerar  todos os possíveis papéis que as outras crianças podem ter na dinâmica do bullying. Todo o grupo precisa ser envolvido em qualquer tentativa de eliminá-lo. A escola deve educar os alunos para que evitem alimentar a energia do agressor assistindo passivamente, rindo ou espalhando boatos. As crianças devem ser incentivadas a apoiar a vítima, sem encorajar retaliação. Se uma criança é vítima de bullying social e está rodeada de pessoas assistindo, ela não sabe o que essas pessoas estão pensando. Elas podem estar gostando ou se sentindo constrangidas, mas se não dizem nada, parece que todas estão contra a vítima.

Outra razão pela qual educadores precisam ter uma abordagem mais holística é que é muito difícil para adultos identificar efetivamente episódios individuais de intimidação social. O educador normalmente terá que se basear em relatos de vítimas, e por uma variedade de razões crianças relutam em definir-se como vítimas.
 
Especialistas recomendam que escolas considerem as seguintes estratégias para lidar com bullying social:

- Educar os professores e funcionários da escola para que saibam o que é bullying social, e discutir formas de combatê-lo.

- Observar os alunos em sala de aula e nos intervalos. Observar sua linguagem corporal quando interagem com seus pares e considerar o seguinte: quem passa mais tempo sozinho ou em um pequeno grupo que parece estar isolado dos outros? Quem é líder de grupinho? Como agem seus seguidores?

- Acreditar na vítima. Jovens socialmente agressivos são muitas vezes hábeis em esconder suas ações, e muitos educadores podem relutar em acreditar que um aluno modelo está envolvido em atos de bullying.

- Dar apoio à vítima e ao agressor, envolvendo os pais e outros profissionais.

- Discutir o bullying social com os alunos, a fim de certificar-se de que eles sabem que espalhar rumores, excluir, ridicularizar os colegas e qualquer forma de assédio moral é inaceitável. É muito importante ter bons canais de comunicação, de modo que os professores possam dar exemplos de tipos de comportamento que sejam preocupantes e fazer as crianças pensarem sobre como suas ações podem magoar os colegas. 

Em um estudo realizado em escolas de Seattle, pesquisadores constataram que o número de episódios de "maledicência" caiu 72 por cento depois que as escolas instituiram um programa que ajuda os professores e os alunos a identificar o bullying social e incentiva testemunhas a ficar do lado das vítimas.

Nao há duvida de que o agente principal na prevenção do bullying é a escola. Se a escola é incapaz de perceber a importância do seu papel, cabe aos pais conscientizá-la da necessidade de se posicionar firmemente contra todas as formas de bullying, inclusive o bullying social, e eliminar a prática através de políticas formais.

***

No seu excelente livro “Mentes perigosas nas escolas – Bullying”, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva fornece informaçôes para identificação do bullying, discute seus efeitos e sugere estratégias para combatê-lo. Na entrevista que aparece no vídeo abaixo a autora fala sobre o tema ao programa Sem Censura.



Copyright © Claudia Storvik, 2011. All rights reserved. 





.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Biculturalismo - Como culturas se combinam e se misturam

Dr. François Grosjean, Ph.D. em Psicologia, publicou recentemente um artigo no seu blog Life as a Bilingual, do site Psychology Today, que achei muito interessante. Entitulado ‘How cultures combine and blend in a person’ (Como culturas se combinam e se misturam em uma pessoa), o artigo trata de biculturalismo.



O autor diz que pessoas biculturais geralmente têm três características. Primeiro, elas participam de duas ou mais culturas. Segundo, elas adaptam, pelo menos em parte, suas atitudes, comportamentos, valores, etc, para essas culturas. E terceiro, elas combinam e misturam aspectos das culturas envolvidas. Certas características da pessoa são provenientes de uma ou de outra cultura, enquanto que outras são uma mistura das várias culturas.

O artigo nota que enquanto uma pessoa bilíngue consegue desativar uma língua e só usar a outra em certas situações, uma pessoa bicultural não pode desativar determinados traços de uma de suas culturas quando se encontra em um ambiente monocultural.

Dr. Grosjean também ressalta que as várias culturas raramente têm exatamente a mesma importância para uma pessoa bicultural - uma cultura muitas vezes é dominante, como ocorre com o domínio de linguagem em bilíngues - mas a pessoa tem que navegar num meio que requer diferentes tipos de comportamento. Por um lado ela vive em um modo monocultural, uma vez que as pessoas à sua volta são em sua maioria monoculturais. Aqui ela tem que desativar a sua outra cultura da melhor forma possível. Se o seu conhecimento da cultura em questão é adequado, e a desativação é suficiente, ela pode se comportar de uma forma monocultural (como por exemplo participar de uma reunião de negócios de acordo com as regras dessa cultura).  No outro extremo, a pessoa entra em um modo bicultural quando está com outras pessoas biculturais que compartilham suas culturas. Elas usam uma cultura de base para interagir e, se quiserem, integram elementos da outra cultura na forma de opções culturais e de empréstimo.

Pessoas biculturais costumam dizer que a vida é mais fácil quando elas estão com outras pessoas com a mesma formação bicultural que elas. Elas podem relaxar e não se preocupar em fazer as coisas certas o tempo todo. Elas muitas vezes afirmam que os seus bons amigos (ou parceiros) são pessoas como elas, com as quais elas podem ficar totalmente à vontade com relação a suas línguas e suas culturas.
 
O artigo do Dr. Grosjean pode ser lido na íntegra aqui. 



Copyright © Claudia Storvik, 2011. All rights reserved.


.


segunda-feira, 4 de abril de 2011

Third culture kids

"Sou brasileiro e minha esposa é francesa. Nosso filho nasceu e viveu na Austrália até os 9 anos, quando nos mudamos para os Estados Unidos, onde moramos atualmente.”

O relato acima lhe soa familiar? Bem-vindo ao clube de pais de 'third culture kids'!

O termo ‘third culture kids’ (crianças de terceira cultura, ou TCKs) foi cunhado nos anos 60 pela pesquisadora Ruth Hill Useem, que estudava crianças que cresciam expostas a duas ou mais culturas, entre as quais seus próprios filhos. Segundo Useem, crianças que vivem em um país de cultura diferente da sua se tornam parte de uma ‘terceira cultura’, que é mais que simplesmente uma mistura das várias culturas a que estão expostas.



Useem definiu uma criança de terceira cultura como uma pessoa que passou uma parte significativa de sua infância ou adolescência fora da cultura de seus pais. A pessoa constrói relações com todas as culturas, mas ao mesmo tempo não pertence realmente a nenhuma delas. Apesar de assimilar elementos de cada cultura à sua experiência, a TCK tem mais afinidade com outras TCKs do que com as culturas a que esteve exposta.

Segundo estudiosos, dois fatores são cruciais para uma criança se tornar uma TCK: crescer num ambiente ‘cross-cultural’ e ter alta mobilidade.

O termo ‘cross-cultural’ foi introduzido pelos pesqisadores Pollock e van Reken para explicar que ao invés de observar culturas, como ocorre com expatriados adultos, a TCK de fato vive as várias culturas a que está exposta.

Os pesquisadores também afirmam que o fator mobilidade diferencia as TCKs de filhos de imigrantes, por exemplo, pelo fato da TCK não ter expectativa de se estabelecer permanentemente no local onde vive. No entanto, muitas pessoas que se identificam com o perfil de TCKs não vêm de famílias com alta mobilidade. Geralmente essas pessoas cresceram cross-culturalmente de outra maneira, por exemplo como filhos de imigrantes ou refugiados, de casais biculturais ou birraciais, ou foram adotadas internacionalmente. Apesar dos estudos sobre TCKs se concentrarem em famílias com alto grau de mobilidade, suas conclusões provavelmente podem ser aplicadas também a muitas dessas outras crianças igualmente expostas a experiências cross-culturais.

Características
A seguir, algumas das característcas de TCKs descritas pelos pesquisadores:
-        Dominam vários idiomas
-        São altamente adaptáveis
-        Têm a mente aberta
-        Estão livres de estereótipos raciais
-        Entendem diferenças culturais
-        São socialmente maduras e independentes
-        Adolescentes são mais maduros que a média mas tendem a demorar mais para sair da adolescência
-        Adultos que foram TCKs têm mais sucesso na vida acadêmica e profissional do que a população em geral
-        Adultos que foram TCKs divorciam-se menos que a média da população, mas casam mais tarde (25+)

O desenvolvimento num ambiente ‘cross-cultural’ faz com que a criança incorpore as várias culturas profundamente no seu processo de raciocínio, o que a torna uma verdadeira pensadora multicultural. Essa lógica multicultural naturalmente influencia a maneira como a criança se relaciona com o mundo à sua volta e a torna diferente dos membros das várias culturas a que está exposta, mesmo as mais assimiladas por ela, num fenômeno conhecido como ‘jet lag cultural’. 

Esse jet lag cultural pode gerar problemas de identidade. Algumas TCKs se tornam ultra nacionalistas com relação a um país, enquanto outras se autodenominam cidadãs globais. As dificuldades encontradas por algumas dessas crianças podem afetar sua saúde física e emocional, à medida que elas tentam determinar sua identidade cultural e seu lugar no mundo. Alguns problemas que podem vir a ocorrer são dificuldade de relacionamento, comportamento antissocial, apatia, ansiedade social e depressão leve.

Por outro lado, TCKs geralmente se tornam indivíduos independentes e cosmopolitas, predispostos ao sucesso devido à sua visão de mundo única que, além de facilitar carreiras em áreas como relações internacionais e administração, com frequência se manifesta através de uma inclinação a desenvolver atividades artísticas e criativas, como música, literatura, design, marketing, etc, em que uma certa distância dos modelos sociais e culturais convencionais são uma grande vantagem.

A família
Os pesquisadores traçaram também um perfil típico de famílias que produzem TCKs. Essas famílias são em geral bem sucedidas acadêmica e profissionalmente e intactas, ou seja, os pais normalmente não são separados ou divorciados. Os membros da família têm relacionamentos muito próximos, pois o núcleo familiar tende a ser a única unidade social constante para a criança. Eles têm também grande dependência psicológica uns dos outros, de uma maneira que não ocorre com famílias geograficamente estáticas. Segundo esses estudiosos, a força dessas ligações familiares opera em benefício da criança quando a comunicação entre ela e os pais é boa e a dinâmica familiar é sadia, mas pode ser devastadora quando esse não é o caso.

Ligação com outras TCKs  
A ligação existente entre TCKs é dificil de explicar. Para elas, ‘cultura’ é algo defindo por experiências semelhantes e não por nacionalidade ou etnicidade. Consequentemente, elas tendem a ter mais em comum e a se relacionar com mais facilidade com pessoas dessa terceira cultura, independentemente de nacionalidade, do que com pessoas da cultura de seus pais (a primeira) ou do país onde vivem (a segunda). Uma TCK que cresceu na Inglaterra, por exemplo, compartilha essa terceira cultura com TCKs que cresceram na Indonesia, no Brasil ou na África do Sul.

TCKs adultas
Quando TCKs crescem, elas se tornam ‘adult third culture kids’ (ATCKs), ou TCKs adultas.  Muitas ATCKs estão hoje em posições de poder, prestígio e influência, como por exemplo Barack Obama, que é filho de mãe americana e pai queniano, nasceu no Havaí e viveu parte de sua infância na Indonésia.

A capacidade desses indivíduos de ver as coisas de forma diferente e inovadora é altamente valorizada - mas ao mesmo tempo temida por aqueles que desejam preservar visões e idéias mais tradicionais.  Segundo Ann Baker Cottrell, professora de sociologia da San Diego State University, este é o futuro. “TCKs estão nos mostrando o caminho, e nós estamos tentando segui-las”.  


Copyright © Claudia Storvik, 2011. All rights reserved.  

 


Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...