terça-feira, 1 de novembro de 2011

Como uma criança de 8 anos se adaptou de volta ao Brasil depois de 4 anos vivendo na Inglaterra


No post “Como uma criança de 3 anos se tornou bilíngue em seis meses” conto a história de minha sobrinha Maria, que se mudou para a Inglaterra aos 3 anos de idade e rapidamente aprendeu a falar inglês. No post prometo contar a história da volta de Maria ao Brasil aos 8 anos, falando inglês melhor que português, alfabetizada em inglês mas incapaz de escrever uma palavra sequer em português. Promessa é dívida, portanto o relato segue aqui. No entanto, como eu e minha família ficamos na Inglaterra e seguimos a adaptação de Maria de volta ao Brasil apenas de longe, quem vai contar detalhes da história é minha irmã, a mãe de Maria. Abaixo, o seu relato.



“Eu não acredito em regras (receitas de bolo) no que diz respeito a educação de nossos filhos. Portanto, o que funciona para uma criança, nem sempre funcionara para outra. No caso de Maria, na volta ao Brasil nós optamos pela escola bilíngue porque não queríamos que ela esquecesse o inglês. Como nossa intenção era que ela se integrasse novamente ao sistema educacional brasileiro, colocá-la numa escola internacional estava fora de questão.

Sabíamos que ela rapidamente ficaria fluente no português escrito e falado e temíamos que ela fosse negligenciando o inglês. Era natural que ocorresse o processo inverso daquele que ocorreu quando nos mudamos para Londres, quando o inglês era dominante e o português era secundário. Aqui cabe lembrar que quando retornamos ao Brasil, Maria tinha 8 anos, falava português com algum sotaque, não escrevia em português e tinha, obviamente, um vocabulário restrito.

Nós voltamos para o Brasil em agosto e Maria começou a frequentar a escola em setembro, quer dizer, já no início do último trimestre letivo. Sei, por experiência, o quanto é difícil mudar de escola no meio do ano letivo, ainda mais quando existe a questão do domínio do idioma.  Mas, como para Maria não existe tempo ruim, ela se adaptou super bem na escola e fez vários amigos já no primeiro dia.

Claro que Maria teve aulas de reforço em português, mas, rapidamente e sem maiores dificuldades, ela atingiu o nível esperado para a idade. O que eu acho que realmente fez a diferença não foi o fato de a escola ser bilíngue, mas sim de a escola ser pequena, com poucos alunos por classe. Dessa forma, Maria recebeu a atenção e dedicação necessárias para o seu rápido aprendizado, sem, contudo, nenhum tipo de tratamento diferenciado. Ela era parte do grupo. E para crianças e adolescentes isso é muito importante.”

Hoje Maria frequenta uma escola monolíngue, mas continua falando inglês fluentemente. Ela exercita a língua assistindo programas de televisão e jogando jogos eletrônicos em inglês, navegando na internet, tirando a letra de músicas (que depois canta animada e repetidamente) e fazendo aquela algazarra bilíngue quando os primos, que também falam inglês e português fluentemente, vêm visitar. Ela também continua lendo em inglês, e sempre que viajamos ao Brasil levamos para ela de presente uma pilha enorme de livros, tanto novos quanto de segunda mão.

Sempre ouvi dizer que crianças esquecem uma segunda língua com a mesma rapidez com que a aprendem se não a usarem constantemente. Talvez pelo fato de a língua inglesa estar tão presente na vida dos jovens, esse não foi o caso de Maria, que continua fluente em inglês quatro anos após ter voltado ao Brasil. 



Copyright © Claudia Storvik, 2011. All rights reserved. 



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3 comentários:

ONE EXPAT WIFE uma esposa expatriada disse...

Nos temos esta preocupacao. Assim, as criancas estao aprendendo ingles na escola e nas ruas, e em casa mantemos o portugues, falado e escrito.

Beijos!
;-)

Ivy Lima @ivy2701 disse...

Adorei esses relatos. Tenho um pequeno de 3,5 anos e devo ir morar fora do país em cerca de 1,5 ano, quando ele terá uns 5 anos. Saber que tanto a adaptação no país estrangeiro quanto a readaptação no Brasil não são bicho-de-sete-cabeças é reconfortante. Obrigada pelos textos e parabéns para vocês e para Maria!

Paloma, a mãe disse...

Ótimo relato, adorei conhecer a história de Maria!
Beijos

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