terça-feira, 26 de abril de 2011

Cinco dicas para ajudar seu filho a gostar de livros

Como já mencionei aqui no blog, a base do sucesso da biliteracia parece estar na qualidade da alfabetização na primeira língua, um processo que se inicia bem cedo, com os estímulos proporcionados pelos pais, passa pela maneira como a alfabetização se dá na escola e pela motivação da criança para usar e desenvolver a leitura e a escrita.  Portanto, o incentivo à leitura desde a mais tenra idade, seja em português ou na língua do país de residência, é um elemento importante para a biliteracia.

No dia 18 de abril, dia nacional do livro infantil e aniversário de Monteiro Lobato, o UOL Crianças pediu ao escritor de livros infantis Ilan Brenman, autor do livro "Até as Princesas Soltam Pum",  que desse dicas do que é preciso fazer para que as crianças se interessem pelo mundo da leitura.
Alunos de uma escola de São Paulo se juntaram ao autor para contar o que torna um livro interessante para eles.

As dicas de Brenman e os comentários das crianças foram compilados em um vídeo, que segue abaixo.    

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Blogagem Coletiva: Mães Internacionais - A importância da amamentação para o desenvolvimento da fala do bebê

O assunto da blogagem coletiva deste mês é amamentação. Para tornar a minha contribuição mais relevante para o tema central de Filhos bilíngues, meu post vai tratar de um aspecto bem específico do aleitamento materno: a sua importância para o desenvolvimento da fala do bebê.

A amamentação é importante na prevenção de distúrbios das funções de sucção, deglutição, mastigação e respiração, de alterações articulatórias, do desenvolvimento de hábitos orais inadequados (como chupar o dedo, roer unha) e de alteração do crescimento facial e oclusão dentária.

Quando uma criança nasce, a estrutura óssea e muscular de sua face ainda não está formada, e depende da amamentação para se desenvolver de forma apropriada. Os bebês nascem com retração mandibular e com um espaço oral pequeno. A sucção feita pelo bebê na amamentação vai desenvolver os músculos da face e gerar um crescimento harmonioso de todas as estruturas orais, que são usadas tanto no ato de sugar quanto nos de falar e mastigar.
O equilíbrio do posicionamento das arcadas dentárias e da língua da criança depende do processo de sucção que ocorre durante a amamentação e que estimula o movimento da mandíbula, da língua e dos lábios. O esforço que a criança faz durante a amamentação é muito grande - lembro que minha filha chegava a suar durante as mamadas. Na amamentação a respiração correta (nasal) também é estimulada, e como resultado o bebê que mama no peito tende a manter seus lábios fechados durante seu repouso, o que contribui para o desenvolvimento correto da arcada dentária e da musculatura facial.

A situação é diferente se a criança mama na mamadeira. O esforço mencionado acima não ocorre e a posição da mandíbula, da língua e dos lábios durante a mamada é totalmente diferente. A musculatura dos lábios e da face tende a ser mais fraca e o bebê tende a manter os lábios entreabertos em seus períodos de repouso. Dessa forma a língua, que deveria ficar no alto da boca, logo atrás dos dentes, se acomoda numa posição incorreta. A criança com esse tipo de postura bucal empurra os dentes para a frente com a língua e respira errado. Quando começa a falar ela pode trocar o ‘r’ pelo ‘l’ e ter dificuldades para pronunciar fonemas como o ‘t’, ‘d’ ,’c’ e ‘z’.

A recomendação de ortodontistas e fonoaudiólogos é que a criança seja amamentada pela mãe por pelo menos 6 meses, período considerado mínimo para fortalecer os músculos suficientemente e prevenir alterações na fala no futuro. E cuidado: na fase de transição do seio materno para os alimentos sólidos, a chupeta, a mamadeira e o hábito de chupar o dedo podem causar problemas semelhantes e também são desestimulados por especialistas.

Abaixo, a fonoaudióloga Luciana Rueda Sborowsk explica por que a amamentação é importante para o desenvolvimento da fala.








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Para ler os posts de outras participantes da blogagem coletiva sobre amamentação clique aqui. 

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Grupos de pais e aulas de português para crianças em Londres

Tenho recebido muitos pedidos de infomação sobre grupos de pais e escolinhas de português para crianças em funcionamento em Londres, portanto resovi compilar alguns dados e publicar uma listinha aqui no blog.


Os seguintes grupos parecem estar ativos no momento na grande Londres:

Escola Meu Pequeno Jesus
St Anne's Church, Underwood Road, Whitechapel, London E1 5AW
Telefone: 0789 5317532 (somente aos sábados das 13:00 às 17:00)

Aulas aos sábados das 13:00 às 17:00. Além de aulas de português as crianças têm aulas de teatro e dança com professores brasileiros. A escola também organiza palestras e outras atividades para os pais.  

Light Project International
1st Floor, Orkney House, 195-199 Caledonian Road, London  N1 0AF
Telefone:  020 7833 4009  
Cláudia Padoan - cpadoan@tiscali.co.uk
André Stefano Debiagi - asdebiagi@hotmail.com

Aulas de português gratuitas para crianças aos sábados, das 10:30 às 12:00. 


Clube dos Brasileirinhos
Golders Green Unitarian Church Hall, 31½ Hoop Lane, London NW11 8BS
Carolina Fattori - silfermo@aol.com

Aulas aos sábados, das 10:00 às 12:00 com duas turmas: de 4 a 6 anos e de 7 a 10. Para ser aceita na escola a criança já deve falar português ou ter boa noção da língua.

Brazilian Educational and Cultural Centre – BrEACC
Crane Community Centre, 49/51 Meadway, Twickenham TW2 6P

Aulas aos sábados das 10:00 às 12:30. O BrEACC existe desde 1997, mas recentemente algumas famílias têm relatado dificuldade de entrar em contato com o grupo. Eu mesma em duas ocasiões diferentes pedi informações através do email divulgado no site sem ter obtido resposta. 


Grupo Verde e Amarelo, Eltham 
Grupo de mães/pais que se reúne uma vez por mês aos sábados. Para mais detalhes mande um email para Monica Weera: moweera@yahoo.co.uk. A Monica também dá aulas de português para grupos de até 5 crianças em sua casa aos sábados pela manhã.

Grupo em Stratford
Voltará a desenvolver atividades depois da páscoa de 2011. Para mais informações mande um email para Francisco Schreiber: francisco.schreiber@rokeby.newham.sch.uk.

Se você souber de algum grupo que não esteja incluído na lista acima, por favor nos mande uma mensagem.

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Primeira Gincana Cultural do Mundo da Língua Portuguesa –
Londres, 22 de maio de 2011

A Escola Meu Pequeno Jesus realizará sua Primeira Gincana Cultural do Mundo da Língua Portuguesa no dia 22 de maio de 2011 das 10:00 às 18:00 na St Anne’s Church, Underwood Road, Whitechapel, London E1 5AW. Todos estão convidados e a participação é gratuita, mas as inscrições de grupos que queiram concorrer se encerram no dia 1° de maio. Além da gincana haverá também outras atividades para as crianças como pula-pula, escorregador, contador de estórias, pintura facial, apresentação de grupo de capoeira, apresentação de filme, barracas de alimentação e sorteios. Para maiores detalhes visite www.meupqnojesus.blogspot.com ou mande um email para meupqnojesus@hotmail.co.uk.


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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Third culture kids

"Sou brasileiro e minha esposa é francesa. Nosso filho nasceu e viveu na Austrália até os 9 anos, quando nos mudamos para os Estados Unidos, onde moramos atualmente.”

O relato acima lhe soa familiar? Bem-vindo ao clube de pais de 'third culture kids'!

O termo ‘third culture kids’ (crianças de terceira cultura, ou TCKs) foi cunhado nos anos 60 pela pesquisadora Ruth Hill Useem, que estudava crianças que cresciam expostas a duas ou mais culturas, entre as quais seus próprios filhos. Segundo Useem, crianças que vivem em um país de cultura diferente da sua se tornam parte de uma ‘terceira cultura’, que é mais que simplesmente uma mistura das várias culturas a que estão expostas.



Useem definiu uma criança de terceira cultura como uma pessoa que passou uma parte significativa de sua infância ou adolescência fora da cultura de seus pais. A pessoa constrói relações com todas as culturas, mas ao mesmo tempo não pertence realmente a nenhuma delas. Apesar de assimilar elementos de cada cultura à sua experiência, a TCK tem mais afinidade com outras TCKs do que com as culturas a que esteve exposta.

Segundo estudiosos, dois fatores são cruciais para uma criança se tornar uma TCK: crescer num ambiente ‘cross-cultural’ e ter alta mobilidade.

O termo ‘cross-cultural’ foi introduzido pelos pesqisadores Pollock e van Reken para explicar que ao invés de observar culturas, como ocorre com expatriados adultos, a TCK de fato vive as várias culturas a que está exposta.

Os pesquisadores também afirmam que o fator mobilidade diferencia as TCKs de filhos de imigrantes, por exemplo, pelo fato da TCK não ter expectativa de se estabelecer permanentemente no local onde vive. No entanto, muitas pessoas que se identificam com o perfil de TCKs não vêm de famílias com alta mobilidade. Geralmente essas pessoas cresceram cross-culturalmente de outra maneira, por exemplo como filhos de imigrantes ou refugiados, de casais biculturais ou birraciais, ou foram adotadas internacionalmente. Apesar dos estudos sobre TCKs se concentrarem em famílias com alto grau de mobilidade, suas conclusões provavelmente podem ser aplicadas também a muitas dessas outras crianças igualmente expostas a experiências cross-culturais.

Características
A seguir, algumas das característcas de TCKs descritas pelos pesquisadores:
-        Dominam vários idiomas
-        São altamente adaptáveis
-        Têm a mente aberta
-        Estão livres de estereótipos raciais
-        Entendem diferenças culturais
-        São socialmente maduras e independentes
-        Adolescentes são mais maduros que a média mas tendem a demorar mais para sair da adolescência
-        Adultos que foram TCKs têm mais sucesso na vida acadêmica e profissional do que a população em geral
-        Adultos que foram TCKs divorciam-se menos que a média da população, mas casam mais tarde (25+)

O desenvolvimento num ambiente ‘cross-cultural’ faz com que a criança incorpore as várias culturas profundamente no seu processo de raciocínio, o que a torna uma verdadeira pensadora multicultural. Essa lógica multicultural naturalmente influencia a maneira como a criança se relaciona com o mundo à sua volta e a torna diferente dos membros das várias culturas a que está exposta, mesmo as mais assimiladas por ela, num fenômeno conhecido como ‘jet lag cultural’. 

Esse jet lag cultural pode gerar problemas de identidade. Algumas TCKs se tornam ultra nacionalistas com relação a um país, enquanto outras se autodenominam cidadãs globais. As dificuldades encontradas por algumas dessas crianças podem afetar sua saúde física e emocional, à medida que elas tentam determinar sua identidade cultural e seu lugar no mundo. Alguns problemas que podem vir a ocorrer são dificuldade de relacionamento, comportamento antissocial, apatia, ansiedade social e depressão leve.

Por outro lado, TCKs geralmente se tornam indivíduos independentes e cosmopolitas, predispostos ao sucesso devido à sua visão de mundo única que, além de facilitar carreiras em áreas como relações internacionais e administração, com frequência se manifesta através de uma inclinação a desenvolver atividades artísticas e criativas, como música, literatura, design, marketing, etc, em que uma certa distância dos modelos sociais e culturais convencionais são uma grande vantagem.

A família
Os pesquisadores traçaram também um perfil típico de famílias que produzem TCKs. Essas famílias são em geral bem sucedidas acadêmica e profissionalmente e intactas, ou seja, os pais normalmente não são separados ou divorciados. Os membros da família têm relacionamentos muito próximos, pois o núcleo familiar tende a ser a única unidade social constante para a criança. Eles têm também grande dependência psicológica uns dos outros, de uma maneira que não ocorre com famílias geograficamente estáticas. Segundo esses estudiosos, a força dessas ligações familiares opera em benefício da criança quando a comunicação entre ela e os pais é boa e a dinâmica familiar é sadia, mas pode ser devastadora quando esse não é o caso.

Ligação com outras TCKs  
A ligação existente entre TCKs é dificil de explicar. Para elas, ‘cultura’ é algo defindo por experiências semelhantes e não por nacionalidade ou etnicidade. Consequentemente, elas tendem a ter mais em comum e a se relacionar com mais facilidade com pessoas dessa terceira cultura, independentemente de nacionalidade, do que com pessoas da cultura de seus pais (a primeira) ou do país onde vivem (a segunda). Uma TCK que cresceu na Inglaterra, por exemplo, compartilha essa terceira cultura com TCKs que cresceram na Indonesia, no Brasil ou na África do Sul.

TCKs adultas
Quando TCKs crescem, elas se tornam ‘adult third culture kids’ (ATCKs), ou TCKs adultas.  Muitas ATCKs estão hoje em posições de poder, prestígio e influência, como por exemplo Barack Obama, que é filho de mãe americana e pai queniano, nasceu no Havaí e viveu parte de sua infância na Indonésia.

A capacidade desses indivíduos de ver as coisas de forma diferente e inovadora é altamente valorizada - mas ao mesmo tempo temida por aqueles que desejam preservar visões e idéias mais tradicionais.  Segundo Ann Baker Cottrell, professora de sociologia da San Diego State University, este é o futuro. “TCKs estão nos mostrando o caminho, e nós estamos tentando segui-las”.  


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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Conversa de gêmeos

Eu não podia deixar de mostrar aqui no blog o vídeo abaixo, que está fazendo o maior sucesso no YouTube. Postado originalmente no blog TwinMamaRama.com, o vídeo mostra um par de bebês gêmeos na cozinha de casa 'conversando' um com o outro.


Dr. Stephen Camarata, professor de ciência da fala e da audição na Vanderbilt University School of Medicine analisou o vídeo para o New York Times e explicou que algumas pessoas acreditam que gêmeos têm a habilidade de criar uma língua própria deles e que no vídeo os bebês parecem estar trocando impressões mas na verdade eles não estão comunicando nada específico.  Ele diz também que o vídeo está cheio de exemplos de como crianças desenvolvem linguagem. Os bebês usam vogais, consoantes, sílabas e entonação imitando palavras numa conversação, que certamente aprenderam dos adultos à sua volta.

Todos os bebês passam pelas mesmas fases de desenvolvimento da fala, mas gêmeos são especiais porque têm um aminguinho da mesma idade com quem praticar, enquanto os outros bebês têm conversas mais unilaterais, com os pais ou irmãos mais velhos.

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