domingo, 2 de janeiro de 2011

De Sergipe para a Áustria



Nas minhas pesquisas para este blog tenho conhecido muitas brasileiras morando nos quatro cantos do mundo e criando filhos bilíngues ou trilíngues. Entre elas está a pedagoga sergipana Vanessa Noronha Tölle, que se mudou para Viena há 5 anos, onde mora com seu marido austríaco e dois filhos, um de 14 anos, do primeiro casamento no Brasil, e outro de 4, nascido na Áustria.


Alfabetizadora, professora de língua portuguesa e treinadora de português para profissionais em Viena, além de outras atribuições Vanessa prepara intercambistas da Universidade de Medicina de Viena para o CEPAS, Projeto de Extensão da Universidade Federal do Espírito Santo. Ela é também gestora do projeto Papagaio - Português para Crianças, uma organização não governamental sem fins lucrativos que tem como objetivo o ensino da língua portuguesa e a divulgação da cultura brasileira para crianças na Áustria. Vanessa gostaria de entrar em contato com gestores de projetos similares em outros países, para fazer um intercâmbio de experiências e informações. Como a união faz a força, dou todo apoio a essa iniciativa, que talvez seja uma forma de evitar que tenhamos que reinventar a roda cada vez que lançamos um projeto educacional para brasileirinhos no exterior. O email para contato é vanenoronha@hotmail.com. 

Segundo Vanessa, falar mais do que uma língua é comum em Viena; lá o pluralismo cultural  tem sido tema de grandes debates, e o multilinguismo é considerado uma necessidade neste momento de globalização acelerada. Dentro deste contexto ela diz ter sido forçada a se tornar bilíngue, tendo aprendido alemão aos 32 anos.  Abaixo ela conta um pouquinho sobre a educação multilíngue dos filhos e especialmente sobre a difícil decisão de deixar o filho mais velho no Brasil quando se mudou para a Áustria. A experiência de Vanessa pode ser útil para outras famílias em circunstâncias semelhantes.


Vanessa Noronha Tölle
Enfrentei questionamentos diversos e a cada dia meu medo crescia. Que medo? Meu filho ficara no Brasil com 11 anos e quando me vi mergulhada num mundo que no mínimo comparei à Fórmula 1, tomei uma decisão: o Gabriel não viria pra cá.  Um erro gravíssimo, pois crianças têm o grande poder de assimilar as coisas facilmente. Sabia disso mas tinha receio de que o Gabriel sofresse. Queria protegê-lo.

Mas nunca é tarde para acertar. Tem oito meses que meu filho está aqui conosco - adaptou-se rapidamente à cultura, tendo desenvolvido facilmente a língua alemã e aprimorado o inglês. É que os jovens precisam de adrenalina e a Fórmula 1 que vivemos para ele é um parque de diversões!

Mas a história não para por aí. Temos o Arthurzinho, de 4 anos, que nasceu aqui e que fala português e alemão no mesmo nível e estuda inglês na escolinha. Aqui adotamos regrinhas básicas: com o pai, que é austríaco, as crianças falam alemão. Comigo, que sou brasileira, falam português, e na hora que estamos juntos predomina o português, mas não abandonamos o alemão. Entre eu e o marido falamos sempre português. Percebo que a língua do início do relacionamento fica entre os casais.

Tenho feito pesquisas nessa área e noto que as crianças que não desenvolvem o bilinguismo na maioria das vezes não tiveram incentivo na infância através de canções, vídeos, leitura de histórias e, o principal, o convívio social com a faixa etária adequada ao desenvolvimento do vocabulário. Aqui entra a grande importância dos grupos que se formam no exterior com este propósito.

Ser bilíngue é ser também multicultural, o que significa somar culturas, aceitar a cultura do outro com respeito. Para que isso funcione, não devemos fazer imposições e sim despertar em nossos filhos o prazer de ser multicultural e lhes dar oportunidades de se familiarizar com idiomas diversos. No mundo em que vivemos, falar outras línguas é uma necessidade.

E isso aí. Parabéns pela família e pelo seu trabalho, Vanessa!



3 comentários:

Aninha, a mamãe do viajante disse...

Parabéns pelo excelente blog Cláudia!

Este assunto me interessa muito, e como ando com muitas dúvidas a respeito foi de grande valia conhecer este espaco.

Meu menino tem 17 meses e só fala duas palavras.
Mas entende tudo nas duas línguas: portugues e alemao.
Nao fico muito preoupada pois sei que é normal, mas me questiono sobre a melhor maneira de conduzir esse bilinguismo por aqui.

A Vanessa eu conheco de Internet mesmo, já li sobre o projeto Papagaio e se nao me engano ele é ministrado do prédio do Consulado Brasileiro em Viena.

Achei muito legal este depoimento dela, pois aqui em casa também predomina o português quando estamos os três juntos, mas meu marido só fala em sua língua com o nosso menino, e eu sempre na minha.

Um abraco,
Ana Rosa.

www.oviajantedefraldinhas.com

Claudia Storvik disse...

Ola Ana Rosa, muito obrigada pelos comentarios e por se tornar seguidora. Estou planejando escrever um artigo sobre atraso no desenvolvimento da fala em criancas. Pelo que li ate agora, seu filho esta dentro da norma, nao se preocupe. E o sistema linguistico que voces estao usando em casa e o classico “one parent, one language”, que funciona. Continue assim. Um abraco, Claudia

Lila Rosana disse...

Obrigada pelo texto com esta mãe. Muito bom!!
Parabéns pela iniciativa!
bBraços,
Lila

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