segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Bilinguismo passivo – Quando a criança se recusa a falar português


Um bilíngue passivo é uma pessoa que teve exposição suficiente a uma segunda língua para compreendê-la bem, mas que exerce pouco ou nenhum comando ativo do idioma, ou seja, além de falar sua primeira língua, entende uma segunda língua, mas não fala.

No caso de filhos de brasieliros residentes no exterior, bilinguismo passivo infantil normalmente ocorre quando a criança passa a responder na língua do país de residência quando alguém se dirige a ela em português, frustrando muitos pais. É mais comum do que se imagina.

A inabilidade de se comunicar em português pode ser causada por falta de vocabulário, o que impede a criança de responder adequadamente, ou falta de interesse pela língua. Quando uma criança aprende português em casa com o pai ou a mãe, e o adulto não é coerente no uso do idioma, falando com a criança às vezes na língua do país de residência e outras vezes em português, a tendência é que a criança desenvolva o bilinguismo passivo. Estudos demonstram que crianças têm maior facilidade para aprender várias línguas em ambientes em que há coerência no uso dos idiomas - elas adoram previsibilidade e segurança.


Algumas vezes a criança tem capacidade de falar a língua, mas se recusa a fazê-lo por razões variadas, e com o tempo acaba perdendo essa capacidade. Uma fase crítica, em que muitas crianças que falam português deixam de fazê-lo, é a época em que elas entram na escola, passam a ter contato constante com a língua do país de residência e o português é usado cada vez menos. Outra fase crítica é a adolescência, quando a criança pode passar a achar que falar português a torna diferente dos outros à sua volta. Em alguns casos o adolescente rejeita o português e não quer nem mesmo que os pais falem com ele nesse idioma. Apesar de essas serem fases críticas, uma criança pode parar de falar o português em qualquer época.

Este é um problema que nunca tive com minha filha, mas que ocorreu com muitas das famílias de brasileiros que conheço aqui na Inglaterra e em outros países. Na maioria dos casos os pais infelizmente passaram a falar inglês com os filhos.

No entanto, os pais não devem desistir de continuar a falar português com a criança quando ela passa a responder em outra língua.  Bilinguismo passivo é um pouco subestimado pelos pais, mas não deveria ser. Quando um bilíngue passivo se encontra numa situação em que tem necessidade de falar a língua em questão, como por exemplo se se muda para um país onde a língua é falada, algumas vezes passa a falar ativamente o idioma sem muito problema. Por essa razão, é importante continuar expondo a criança à língua, mesmo quando seu conhecimento é apenas passivo. Continue falando português com seu filho. Ser um bilíngue passivo é melhor do que ser monolíngue. Quando você deixa de falar português com seu filho porque ele responde em outra língua, a tendência é que ele passe a entender cada vez menos o português, por não ter mais contato constante com o idioma, e acabe se tornando monolíngue.

Na prática 1
Uma mãe francesa casada com um inglês e residente na Inglaterra conta que apesar de ela desde o nascimento de seu filho ter se comunicado com ele em francês, quando o menino começou a falar ... ele falava apenas inglês! Ela esperou até ele fazer 3 anos e meio, e nada. O menino obviamente entendia francês perfeitamente, mas falava apenas inglês. Ela tinha certeza que o problema era o fato de ele saber que ela entendia inglês bem, pois ela e o marido se comunicavam em inglês. Então essa mãe resolveu explicar ao filho com muito carinho, mas muito claramente, que a língua dela era o francês; ele ia ter que falar francês com ela dali para a frente. Inicialmente o menino falava devagar e parava a toda hora porque não sabia a palavra que queria dizer em francês. A mãe então perguntava: “qual é a palavra em inglês?”, ele dizia e ela traduzia para o francês. Aos poucos o francês dele foi melhorando. Segundo essa mãe, o menino deve ter percebido que ela estava falando sério e que não ia mudar de idéia, porque a estratégia funcionou.

Na prática 2
Um outro caso interessante, mas com resolução ainda pendente, envolve uma família em que o pai e a mãe são brasileiros. O filho deles nasceu no Brasil. Quando ele tinha 6 anos a família se mudou para a Inglaterra. O menino não falava inglês quando veio para cá e aprendeu a língua na escola. Atualmente ele tem 11 anos e além de se recusar terminantemente a falar português, não gosta que o pai e a mãe falem português com ele. A esperança dos pais é que essa seja uma fase passageira.

Na prática 3
O caso de uma outra família residente na Inglaterra infelizmente parece ser bastante comum aqui nas terras da rainha. A mãe é brasileira e o pai inglês. A filha nasceu e foi educada na Inglaterra. A mãe, que tem muito orgulho do fato de ter aprendido inglês na prática (por imersão) após se casar e se mudar para a Inglaterra, sempre misturou inglês e português na comunicação com a filha e nunca valorizou a língua portuguesa – ela até adicionou um certo ‘sotaque inglês’ ao seu português, que é invariavelmente salpicado de palavras e expressões em inglês. Na infância a filha falava um pouquinho de português, mas nunca chegou a ser fluente. Quando a família passava uma temporada no Brasil ela voltava com um vocabulário um pouco maior, mas sempre teve um sotaque forte e sempre preferiu falar inglês. Hoje a menina está com 14 anos e não fala mais português. A mãe infelizmente passou a se comunicar com ela predominantemente em inglês e o seu entendimento do português decaiu tanto devido à falta de contato com a língua que a menina se tornou praticamente monolíngue.

Dicas
Abaixo, algumas sugestões do que fazer se seu filho se recusar a falar português:

-      Por mais que isso seja frustrante para os pais, a decisão da criança de falar apenas uma língua deve ser respeitada. Os pais podem tentar persuadi-la a falar português, preferencialmente de maneira sutil, mas não podem nem devem forçá-la. Especialmente no caso de adolescentes, forçá-los a falar português pode ter um efeito totalmente contrário do desejado.

-      Tenha paciência. Mesmo sendo um bilíngue passivo, seu filho pode continuar desenvolvendo o seu português.

-      Tente melhorar a sua comunicação com a criança de uma maneira geral. Aprenda a ouví-la, aproxime-se dela. A recusa do seu filho de falar português pode ser um reflexo de alguma insatisfação com o relacionamento de vocês dois.

-      Continue falando apenas português com seu filho e sendo consistente no uso da língua. Procure não falar com a criança às vezes numa língua e às vezes em outra. Ela não pode ter dúvida de que com você a língua é português. Lembre-se: a criança só vai valorizar a língua portuguesa se você a valorizar primeiro. Seja um bom exemplo para seu filho.

-      Seja realista e considere se seu filho teve exposição suficiente à língua portuguesa para falá-la. Talvez ele precise de ajuda para adquirir mais vocabulário. Certifique-se de que seu filho tem acesso a material de apoio adequado para aprendizagem do idioma, como bons livros em português, bons filmes e séries brasileiras, etc. Na maioria das vezes bilinguismo passivo é resultado de um ambiente lingusticamente pobre.

-      Demonstre satisfação com qualquer sinal de melhora do português do seu filho, especialmente o uso ativo da língua.  

-      Leia o post ‘Crianças bilíngues e o valor das línguas com atenção. Esse post contém sugestões e idéias para incentivar seu filho a falar português que podem ser de extrema valia nessa fase. Dos exemplos mencionados no artigo, a estratégia mais eficaz uma vez que a criança já parou de falar português talvez seja viajar para o Brasil com frequência. No entanto, essa estratégia por si só corre o risco de surtir efeitos apenas temporários, e o ideal é que seja combinada com outras que façam da língua portuguesa uma parte relevante do dia a dia da criança no país de residência. Por exemplo, se seu filho quer aprender a tocar violão, por que não contratar um professor brasileiro, com instruções para se comunicar com o aluno apenas em português? Use a imaginação!

Uma boa notícia

A boa notícia para os pais é que se a criança tinha bom domínio ativo da língua antes de parar de falá-la, a rejeição pode ser temporária, especialmente se ocorre na adolescência. O crescimento emocional da criança e o aumento do seu entendimento intelectual podem causar uma mudança de atitude com relação ao português e uma progressiva valorização da língua. O que era uma irritação para o adolescente pode se tornar uma tábua de salvação para o jovem adulto num mercado de trabalho em que o multilinguismo é cada vez mais valorizado. Daí a importância de os pais manterem vivo o bilinguismo, mesmo que passivo, continuando a falar com a criança apenas em português.

Nas palavras de Colin Baker, um dos mais renomados autores de livros sobre bilinguismo infantil, em tempos de desespero linguístico os pais precisam ter fé, esperança e amor. Tudo o que eles podem fazer é proporcionar as condições necessárias para o individuo decidir por si só o futuro da sua existência linguística. O jardineiro pode preparar o solo, plantar as sementes, oferecer um ambiente propício para o crescimento. Os pais, como o jardineiro, não podem forçar o crescimento, mudar a cor ou controlar o desabrochar da flor que é a linguagem dos seus filhos.


Copyright © Claudia Storvik, 2011. All rights reserved.



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19 comentários:

Neda disse...

Oi Claudia,
lá venho eu de novo. Minha mãe sofreu muito e acho que se minha avó não fosse tão rigida minha mãe cairia no caso pratico 2. Minha mãe simplesmente odiava os olhares quando minha avó falava com elas em norueguês em publico, isso já adulta! Em casa sempre tivemos a liberdade de falar com minha mãe no idioma que quisessemos, ela quase sempre fala com a gente em espanhol (eu acho, já que nunca paro para pensar) mas seu só consigo falar em português com ela (risos) mesmo agora, com ela visitando aqui na Argentina quando estavamos em grupo com familia e amigos eu tinha que fazer um esforço muito grande para não falar com ela em português. Somente com ela e agora (aos poucos meu filho) consigo não responder no idioma falado.
Beijos

Paula Duailibi Homor disse...

Oi Claudia,
Por tudo o que eu ja vi nesses 8 anos de vida no exterior e por experiencia propria com minha filha de 3 anos, o problema enocntra-se na inconsistência.
Logicamente, algumas crianças apresentem dificuldade no aprendizado, mas essas crianças teriam problemas sendo monolingues tambêm.
O que vejo muito são pais brasileiros misturando portugues e ingles. Frase do tipo: Pega lá o seu "juice". ou Vc está "hungry"? São bastante comuns.
Até hoje não vi problemas com crianças (sem problema de aprendizado) cujos pais foram firmes e consistentes em seus próprios idiomas.
bjos e parabéns pelo post.

Dani disse...

Claudia, cada vez me conscientizo mais quanto a importancia de um falar consistente com o filho.

Uma amiga esta passando por isso, o filho depois q entrou na escola, passou a querer falar so em italiano, ver desenhos em italiano, por nao entender muitas palavras portugues. Como é comum mesmo!

Anônimo disse...

Oi Claudia,
Meu caso é que estou morando no Brasil faz 4 anos e nos somos dominicanos ( nossa lingua é o espanhol).tenho dois filhos 8 e 4 anos. o maior llegou falando espanhol mas foi perdendo a fluidez na fala, hoje e un bilingue passivo e o menor so fala portugues tamben.
Eu estou muy contenta de ter encontrado seu blog por que posso ver com os exemplos mostrados situações de meu dia dia por exemplo eu tenho a duvida cuando eles falam pra mim alguma coisa en portugu~es yo debo repetirla en españhol sobre todo o menor que esta aprendo palabras novas ainda. beijos

carmelucia ribeiro disse...

ALGUEM PODE ME ENDICAR UM BOM LIVRO PRA INICIANTE

Anônimo disse...

Oh problema o meu: meus filhos nasceram no Brasil, mas moramos na Guiana (inglesa) e os meninos não querem falar mais Português, apesar de minha esposa e eu falarmos português o dia inteiro. O mais velho já está na escola há dois anos e realmente a situação da língua piorou. Ele entende português muito bem, mas não quer falar de jeito nenhum! E quando vamos ao Brasil (raro e raído) ele sofre pra falar Portugues com um sotaque bizarro. E para piorar aa situação, o irmão mais novo só quer falar ingles tbm, pois passam muito tempo juntos brincando. WHAT TO DO?!

Anônimo disse...

Olá pessoal tudo bem?

Quero indicar o Colégio Marco Polo bilíngue na Vila Mariana o primeiro no brasil a utilizar material da Oxford University, elaborado pelo maior centro linguístico do mundo. Para assegurar a evolução e a qualidade do ensino, os alunos do Colégio Marco Polo são submetidos, com frequência, aos exames de Cambridge.

http://colegiomarcopolo.com.br/menu/8/escolabilinguesp

‪#‎ficaDica‬ ‪#‎ColégioMarcoPolo‬ ‪#‎escolhabilingueSP‬

Jonathan disse...

Olá pessoal tudo bem?

Quero indicar o Colégio Marco Polo bilíngue na Vila Mariana o primeiro no brasil a utilizar material da Oxford University, elaborado pelo maior centro linguístico do mundo. Para assegurar a evolução e a qualidade do ensino, os alunos do Colégio Marco Polo são submetidos, com frequência, aos exames de Cambridge.

http://colegiomarcopolo.com.br/menu/8/escolabilinguesp

‪#‎ficaDica‬ ‪#‎ColégioMarcoPolo‬ ‪#‎escolhabilingueSP‬

Anônimo disse...

Esquece o Brasil e o português.

Anônimo disse...

Olá! Sou Argentina e tenho 25 anos. Quando eu tinha 4 anos a minha família se mudou para o Brasil e eu obviamente fui alfabetizada em português. Minha mãe sempre nos obrigou a falar apenas espanhol em casa, inclusive com o meu irmão 5 anos mais velho. Lembro que sempre que tentava falar em português ela fazia que não entendia e quando falava errado ela me corrigia. Ela inclusive pediu ajuda do meu irmão (por ser mais velho ele sabia melhor) para que quando eu errasse ele me corrigisse também. Quando aprendi a escrever minha mãe me dava textos em português, pedia para que eu traduzisse ao espanhol e depois corrigia, minha gramática eu devo toda a isso. Hoje eu não consigo falar português com a minha mãe e meu irmão (inclusive quando estou com o meu irmão e amigos brasileiros, o que é sempre muito engraçado) mas parece errado sabe. Quando eu era adolescente tinha vergonha que a minha mãe falasse comigo em espanhol, mas sao fases. Hoje sou fluente escrito e falado nos dois idiomas, eles são praticamente a mesma coisa pra mim e claro não tenho nenhum trauma por terem me obrigado a falar espanhol em casa hehe não desista, insista, incentive, vc sabe que isso será muito útil no futuro. Tive ótimas oportunidades de trabalho no inicio de carreira apenas por ser bilíngue. Depois de adulta aprendi ingles e foi muito mais difícil!! Tomara que meu depoimento te ajude a não desistir. Bjs Florencia

Florencia disse...

Olá! Sou Argentina e tenho 25 anos. Quando eu tinha 4 anos a minha família se mudou para o Brasil e eu obviamente fui alfabetizada em português. Minha mãe sempre nos obrigou a falar apenas espanhol em casa, inclusive com o meu irmão 5 anos mais velho. Lembro que sempre que tentava falar em português ela fazia que não entendia e quando falava errado ela me corrigia. Ela inclusive pediu ajuda do meu irmão (por ser mais velho ele sabia melhor) para que quando eu errasse ele me corrigisse também. Quando aprendi a escrever minha mãe me dava textos em português, pedia para que eu traduzisse ao espanhol e depois corrigia, minha gramática eu devo toda a isso. Hoje eu não consigo falar português com a minha mãe e meu irmão (inclusive quando estou com o meu irmão e amigos brasileiros, o que é sempre muito engraçado) mas parece errado sabe. Quando eu era adolescente tinha vergonha que a minha mãe falasse comigo em espanhol, mas sao fases. Hoje sou fluente escrito e falado nos dois idiomas, eles são praticamente a mesma coisa pra mim e claro não tenho nenhum trauma por terem me obrigado a falar espanhol em casa hehe não desista, insista, incentive, vc sabe que isso será muito útil no futuro. Tive ótimas oportunidades de trabalho no inicio de carreira apenas por ser bilíngue. Depois de adulta aprendi ingles e foi muito mais difícil!! Tomara que meu depoimento te ajude a não desistir. Bjs Florencia

Florencia disse...

Olha meu comentário no comentário acima. Eu sou uma adulta q passou por isso na infância (hj sou trilíngue), sou Argentina e morava no Brasil. Minha mãe sempre obrigou eu e meu irmão a falarmos espanhol e não falássemos ela dizia que não entendia. Quando errava ela me corrigia e me ensinava vocabulário. Qnd comecei a escrever ela me dava textos em português e pedia para eu traduzir (devo toda a minha gramática em espanhol a isso). Lembro de ela sempre me explicar a importância e o motivo de fazer isso! Mesmo sem perceber tenho facilidade para aprender idiomas, aprendi inglês em 6 meses com imersão. Eu sou a prova viva que não fica nenhum trauma e depois de adultos agradecemos a cada dia o esforço dos pais!!

Marcí disse...

Olá ! Moro no Japão . As crianças em casa falam o português quando se dirigem as pessoas que não dominam o japonês , mas também falam em japonês entre eles, apesar de todos dominarem o português . E, na escola, mesmo com os amigos brasileiros, falam em japonês também . Talvez na escola tenham vergonha de serem ouvidos ou questionados sobre o que falam . Mas, quando convém a eles, ou seja, quando não querem que outros entendam, não tem problema algum em falar em português .

Marcia Valeria Falguetti Davila disse...

Olá tudo bem?
Tem um projeto de mirar na França, tenho um filho de 8 anos que já esteve em Paris como duas vezes mas não gosta muito do idioma. Gostaria de saber se existe alguma escola bilingue que fala português e francês na França?
Atenciosamente,
Marcia

Anônimo disse...

Boa matéria Claudia. Os meus filhos desde sempre souberam separar os idiomas, papai fala assim...., mamãe fala assim...., frequentaram jardim de infância e escola bilíngue ( alemão e inglês ) e em casa falavam português comigo. Fui consequente na minha língua materna, em algumas ocasiões sociais precisava falar alemão com eles, mas isso nunca foi um problema. Após serem alfabetizados em alemão e inglês fizeram o ginásio em escola brasileira e nunca tiveram dificuldade nem na escrita.

Barbara disse...

Eu sou Brasileira meu Marido chileno e meu filho nasceu aqui nos estados unidos ele tem dois anos mais quando fala com o pai fala espanhol e quando saimos nas ruas ou quando ele esta com um coleguinha ele fala ingles heheheh eu acho Tao bonitinho que ele saiba separar as linguas e entende

Rosana Sanford disse...

Ao compartilhar minha missão de passar a minha herança linguística e cultural à uma grande amiga, ela fez uma boa pesquisa e me indicou o seu blog, Cláudia. Estou contentíssima com todo o conteúdo exposto aqui. Experiências compartilhadas e dicas que valem muito. Moro perto de San Francisco, Califórnia, e tenho uma filha de 2 anos e 3 meses que cognitivamente se desenvolveu muito rápido. Falo com ela exclusivamente em português e seu pai, que é americano, em inglês. Até 3 meses atrás ela só me respondia em português mas desde a chegada da minha mãe em nossa casa, ela só tem nos respondido em inglês. O detalhe é que minha mãe não fala inglês mas a entende bastante e parece achar "bonitinho" o fato da minha filhar falar inglês. Acredito que minha filha deva entender isso inconscientemente, e como adora atenção, continua o fazendo. Felizmente ou infelizmente, minha mãe voltará a São Paulo no próximo mês. Espero que minha filha volte a me responder em português. Sou muito consistente com ela. Tanto em relação à língua que uso quanto ao uso de todo material possível para expo-lá à língua e cultura. Obrigada pelo seu trabalho! Terei muitas leituras úteis nos próximos meses. Ah, esqueci de mencionar que agora também tenho uma bebê de 2 meses. O trabalho será ainda mais árduo quando está começar a falar. A tendência é que irmãos escolham o inglês para se comunicar. Nos próximos dias pretendo mudar a região do drive do meu laptop para 4 para que a mais velha passe a assistir desenhos em português. Uma amiga também indicou um serviço chamado Vpn que permite a transmissão do netflix do Brasil aqui ou em qualquer canto do mundo. Farei a pesquisa. Espero que funcione. Seria ótimo! Valeu!!!!

Unknown disse...

Olá Cláudia
Gostei muito seu post. Foi bem pesquisado e segue as evidências de pesquisas recentes, tanto na área de psicolinguística como de sociolinguística.
A técnica one parent-one language é realmente muito importante, mas com certeza não oferece garantias. Talvez as pessoas subestimem o quão complexo o bilinguismo é e fiquem chateadas e ou frustradas quando ele não acontece como imaginávamos. O mais importante mesmo como vc disse, e se os pais realmente se importam (digo isso pq há pessoas que não fazem tanta questão e isso é escolha delas também) é não desistir de falar a língua materna com os filhos, mesmo que eles estejam se comportando passivamente.
A criança precisa ver e vivenciar o valor da língua minoritária, assim há uma tendência maior no interesse dela.
Outra coisa, que vc também mencionou, forçar ou exigir é uma estratégia com pouquíssimos resultados, não seria aconselhado a não ser onde há extrema necessidade (normalmente quando a família se muda para outro país e a criança tem que aprender um novo idioma, mas isso é um caso um pouco diferente...).
Apesar do nosso cérebro ter uma capacidade incrível de aprendizado, a criança bilíngue está aprendendo em dobro. Enquanto uma criança monolíngue sabe 1000 palavras de uma só língua, a criança bilíngue vai saber 1000 palavras também mas dividido entre as duas ou três línguas (a língua local sempre vai ocupar um espaço maior nessa lista de vocab por exemplo).
Para pessoas interessadas no assunto sem querer se aprofundar muito, sugiro um livro ótimo baseado em evidências e muitas experiências, com ótimas dicas, bem fácil e gostoso de ler "The Bilingual Family" by Harding & Riley.

Iracema Santana disse...

Pois, vejo que comigo é muito diferente.
Sou brasileira (casada com espanhol) Temos dois filhos, 5 e 7 anos e por mais que eu tente eles nāo conseguem e na verdade é que (se recusam) falar em espanhol comigo.
Como eu e meu marido nos conhecemos "em pessoa", no Brasil, e começamos o relacionamento falando em português, desde entāo só falamos em português.
Acho incrível é que quando se dirigem a mim, fala em portugués (fluentemente), e com seu pai e a familia dele, falam em castellano ou catalán.
No meu caso, eu é que me sinto disfocada, pois moro aquí ha sete anos,
e por conta de ñ trabalhar fora, ñ ter un círculo de amigos espanhóis e meu marido e meus filhos ñ se comunicarem comigo em español, até hoje eu tenho dificuldades para falar fluentemente o idioma.

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