terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Mudanças de país e a identidade das crianças

No post ‘Third culture kids (crianças de terceira cultura) trato de crianças que, por viverem em um país de cultura diferente da que compartilham com seus pais, se tornam parte de uma ‘terceira cultura’, que é mais que simplesmente uma mistura das várias culturas a que estão expostas. 



Segundo alguns estudiosos, o desenvolvimento num ambiente ‘cross-cultural’ faz com que a criança incorpore as várias culturas profundamente no seu processo de raciocínio, o que a torna uma verdadeira pensadora multicultural. Essa lógica multicultural naturalmente influencia a maneira como a criança se relaciona com o mundo à sua volta e a torna diferente dos membros das várias culturas a que está exposta, mesmo as mais assimiladas por ela.

Conforme menciono no post, esse jet lag cultural pode gerar problemas de identidade. As dificuldades encontradas por algumas dessas crianças podem afetar sua saúde física e emocional, à medida que elas tentam determinar sua identidade cultural e seu lugar no mundo.


A especialista americana Ruth E. Van Reken, coautora do livro Third Culture Kids: The Experience of Growing Up Among Worlds (Crianças de terceira cultura: a experiência de crescer entre mundos) deu uma entrevista à revista Veja algum tempo atrás, que pode ser de interesse para alguns pais leitores do blog. Nessa entrevista a pesquisadora explica que crianças de terceira cultura podem ter dificuldades em identificar qual cultura, entre as tantas que conhecem, define melhor sua identidade. Elas podem também sentir dificuldade em retornar ao país de origem. 


Outro desafio, segundo a especialista, são os ciclos de separação e perda inerentes ao estilo de vida de uma criança de terceira cultura. “Os relacionamentos dessas crianças são rompidos e, assim, elas perdem seu lugar na comunidade e na cultura que aprenderam a amar.” Ela conclui que crianças de terceira cultura acabam encontrando uma maneira criativa de usar as experiências que vivenciaram, mas que esse pode ser um processo demorado.


A entrevista pode ser lida na íntegra aqui. 


A revista Veja publicou outras duas reportagens sobre crianças de terceira cultura, que podem ser lidas aqui e aqui.


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2 comentários:

Anônimo disse...

Adorei, Claudia. Obrigada por continuar a expandir as fronteiras do conhecimento entre os pais de TCK.
Um abraço e feliz 2012, que seja repleto de posts deliciosos entre muitas outras realizações.
Andreia Moroni

Cecilia Rossin disse...

Sou poliglota, brasileira crescida no Japão, e residi também na grã-bretanha e nos EUA.
se quiser conversar comigo para informações, estarei disponível através de email.

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