Mas um estudo recente demonstrou que bebês nascidos de mães bilíngues (que falam dois idiomas regularmente durante a gravidez) apresentam preferências linguísticas diferentes de crianças nascidas de mães que falam apenas um idioma durante a gravidez.
De acordo com a pesquisa publicada por Krista Byers-Heinlein e Janet F. Werker, da University of British Columbia, no Canadá, e Tracey Burns, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, quando uma criança nasce ela já pode ter dado os primeiros passos para o desenvolvimento do bilinguismo.
Quando testados em sua preferência pelo inglês versus o tagalo (uma língua falada nas Filipinas), recém-nascidos cujas mães só falavam inglês durante a gravidez apresentaram uma preferência forte pelo inglês. Em contrapartida, os recém-nascidos cujas mães falavam inglês e tagalo regularmente durante a gravidez mostraram preferência igual por ambas as línguas. Um grupo de recém-nascidos cujas mães tinham falado chinês e inglês mostraram um padrão intermediário de preferência pelo tagalo. A preferência dos recém-nascidos em relação aos idiomas foi medida com o uso de um procedimento conhecido como sucção de alta amplitude, que mede o interesse da criança frente a um estímulo.
O resultado da pesquisa indica que a exposição a mais de uma língua antes mesmo do nascimento pode afetar o interesse e o desempenho de uma criança em relação a esses idiomas, o que facilitaria o aprendizado de cada um deles, e que as crianças recém-nascidas já têm capacidade de diferenciar as línguas, o que ajuda a separá-las durante sua aprendizagem e evita confusão.
As pesquisadoras observaram que recém-nascidos monolíngues têm preferência por sua única língua nativa e dirigem sua atenção somente para ela, enquanto que os recém-nascidos bilíngues se interessam pelas duas línguas, o que ajuda a garantir a atenção, e, portanto, o aprendizado de cada uma das línguas.
As conclusões do estudo canadense demonstram que as raízes do bilinguismo são mais profundas do que se imaginava, incluindo até mesmo o período pré-natal, o que confirma que realmente nunca é cedo demais para começar a ensinar mais de uma língua para uma criança.
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